Max Russi aponta falta de habitação como problema comum até em polos do agronegócio, onde aluguéis elevados dificultam a atração de profissionais.
Mato Grosso possui déficit superior a 100 mil moradias, problema que atinge desde municípios pequenos até cidades economicamente fortes do agronegócio, segundo dados do Relatório do Déficit Habitacional no Brasil citados pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos). Para o deputado, a habitação é hoje uma das poucas demandas comuns a praticamente todas as regiões do estado.
Russi afirmou que a prosperidade econômica não eliminou o problema. Em municípios que crescem rapidamente com a expansão agrícola, os valores dos terrenos e aluguéis aumentam mais depressa que a oferta de casas, dificultando a fixação de servidores públicos, trabalhadores e famílias de renda mais baixa.
O parlamentar citou o caso de policiais militares convocados em concurso que desistiram de assumir postos em determinadas cidades devido ao alto custo de vida e à dificuldade para encontrar moradia acessível.
A situação mostra que o déficit habitacional não é apenas falta física de casas. Ele também inclui famílias que vivem em imóveis precários, dividem residência por necessidade, comprometem parcela excessiva da renda com aluguel ou ocupam locais sem infraestrutura adequada.
Crescimento econômico eleva pressão imobiliária
Nos polos do agronegócio, a chegada de empresas e trabalhadores aumenta a demanda por imóveis. Quando a construção residencial e a infraestrutura urbana não acompanham o ritmo, o preço sobe e a desigualdade se amplia.
O impacto atinge a economia municipal. Empresas enfrentam dificuldade para contratar profissionais; servidores recusam lotações; famílias se deslocam para áreas distantes; e prefeituras precisam ampliar transporte, saneamento, escolas e unidades de saúde.
Russi afirmou que, quando foi prefeito de Jaciara, participou da entrega de mais de mil casas populares. Também destacou o residencial Vila Aconchego, inaugurado com 54 unidades gratuitas destinadas a idosos em situação de vulnerabilidade, com investimento estadual de R$ 12 milhões.
A Assembleia também passou a discutir um empréstimo de R$ 1,5 bilhão destinado a políticas habitacionais, proposta tratada por Russi como prioridade diante do tamanho da demanda.
O desafio é evitar que programas habitacionais se limitem à construção de unidades afastadas e sem serviços. Especialistas defendem projetos próximos a emprego, transporte, escola, saúde e comércio, além de políticas de regularização fundiária e locação social.
A matéria-base foi divulgada pelo MT é Notícia, e a declaração completa pode ser consultada na página oficial de Max Russi.