Mudança atinge secretaria responsável pela articulação política do Estado e ocorre enquanto investigação da PF avança sobre operações relacionadas ao acordo com a Oi.
O governador Otaviano Pivetta promoveu uma mudança importante no comando da Casa Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (11). Mauro Carvalho deixou a secretaria e foi substituído por Rogério Gallo, em uma alteração que ocorre no momento em que a Operação Heritage, da Polícia Federal, provoca forte repercussão política no Estado.
Carvalho aparece entre os investigados na operação, que apura suspeitas relacionadas a operações financeiras envolvendo o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. O ex-secretário nega participação nas tratativas questionadas e afirma que não recebeu qualquer benefício relacionado à negociação. (EN)
A troca não representa, por si só, uma conclusão sobre a investigação. A apuração continua em andamento e eventual responsabilidade criminal dependerá da produção de provas e das decisões das autoridades competentes.
Uma secretaria estratégica
A Casa Civil ocupa posição central dentro do Executivo estadual.
A pasta é responsável por fazer a ponte política entre o governo, deputados, partidos e demais instituições. Por isso, mudanças em seu comando normalmente têm repercussão que vai além da administração burocrática.
Gallo chega ao cargo com experiência acumulada na gestão pública. Antes de deixar o governo para disputar as eleições de 2026, comandava a Secretaria de Fazenda.
Sua escolha coloca novamente no centro da articulação um nome conhecido da estrutura administrativa estadual.
A investigação por trás da mudança
A Operação Heritage examina movimentações financeiras relacionadas ao acordo que resultou no pagamento de aproximadamente R$ 308 milhões pela Oi.
O negócio já era alvo de debate político antes da operação.
O Governo de Mato Grosso sustentava que o acordo havia sido celebrado dentro da legalidade e representava uma solução para um litígio complexo.
A investigação federal, entretanto, passou a examinar também o percurso financeiro dos valores.
Segundo o MT é Notícia, o ministro Flávio Dino autorizou medidas investigativas após receber elementos apresentados pela Polícia Federal e respaldados pela Procuradoria-Geral da República.
O que muda para Pivetta
A troca ocorre em um momento especialmente delicado para o governador.
Pivetta está no centro das articulações eleitorais de 2026 e precisa, simultaneamente, administrar o Estado e organizar sua base política.
Nesse contexto, manter uma Casa Civil funcionando sem turbulências é fundamental.
A escolha de Gallo pode ser interpretada como uma tentativa de preservar a estabilidade administrativa e política enquanto a investigação continua.
Investigação não é condenação
A diferença entre investigação e condenação precisa ser preservada.
O fato de uma pessoa aparecer como alvo de diligências da Polícia Federal não significa que tenha cometido crime.
No caso de Mauro Carvalho, há uma negativa expressa de participação nas tratativas investigadas.
O próprio conteúdo da decisão judicial relacionada à Heritage, conforme divulgado, não condena os investigados.
O que existe é autorização para aprofundar a apuração, inclusive por meio de acesso a informações bancárias e fiscais.
Próximo capítulo
A saída de Carvalho encerra, pelo menos neste momento, sua passagem pelo núcleo político mais importante do governo Pivetta.
Gallo assume com a tarefa de garantir continuidade à articulação do Executivo justamente quando o cenário político está mais instável.
A investigação, por sua vez, seguirá seu próprio caminho.
Se novas provas surgirem, poderão alterar ainda mais o cenário. Se as suspeitas não forem confirmadas, o caso deverá ser encerrado sem responsabilização dos investigados.
Até lá, a troca na Casa Civil funciona como um dos primeiros efeitos políticos visíveis da Operação Heritage sobre o governo de Mato Grosso.