O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou nesta segunda-feira (10) o que classificou como “romantização” de pessoas em dependência química que vivem nas ruas da Capital. A declaração ocorreu depois que o prefeito compartilhou um vídeo de um morador mostrando um padrão de energia danificado no Centro da cidade e atribuindo o vandalismo a usuários de drogas que permanecem na região.
O vídeo mostra a estrutura danificada e reclama dos prejuízos provocados pela situação. Ao reproduzir a publicação, Abilio afirmou que a maneira como dependentes químicos são tratados contribui para a repetição de episódios semelhantes.
Acusação não foi comprovada
Apesar da acusação feita pelo morador e reproduzida nas redes sociais, a reportagem do VGN ressalta que não há, nas informações apresentadas, identificação de quem teria destruído o padrão de energia.
Também não foi apresentada comprovação de que o dano tenha sido causado por pessoas em situação de dependência química.
Essa distinção é importante porque o episódio mostrado no vídeo e a atribuição de responsabilidade são fatos diferentes. A estrutura aparece danificada, mas a autoria do dano não está estabelecida pelas informações disponíveis.
Debate envolve segurança e saúde
A manifestação do prefeito ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre pessoas em situação de rua e usuários de drogas no Centro de Cuiabá.
O problema envolve diferentes áreas da administração pública, entre elas segurança, assistência social e saúde.
O próprio governo federal trata a dependência química como uma condição multifatorial e prevê uma rede de atenção voltada ao tratamento, acolhimento, recuperação e reinserção social.
A política nacional sobre drogas também estabelece como eixos prevenção, tratamento, acolhimento, recuperação, reinserção social e redução da oferta.
Crítica de Abilio amplia discussão
Ao dizer que pretende “mudar isso”, Abilio colocou novamente a situação dos dependentes químicos nas ruas entre as prioridades do debate municipal.
A questão, porém, ultrapassa a simples retirada de pessoas das ruas. Envolve a identificação de situações de vulnerabilidade, oferta de atendimento de saúde, assistência social, segurança pública e preservação do patrimônio.
Também existe no ordenamento brasileiro uma política de redução de danos, prevista historicamente em normas do Ministério da Saúde, voltada à redução dos riscos sociais e à saúde relacionados ao uso de substâncias que causam dependência.
Vandalismo ainda precisa ser esclarecido
No caso específico do padrão de energia, a informação confirmada é a existência do dano e a denúncia feita por um morador.
Não há, até o momento, elementos apresentados na reportagem que permitam afirmar quem praticou o ato.
A discussão política sobre a dependência química, portanto, não deve ser confundida com a investigação da autoria do vandalismo. São questões relacionadas ao mesmo cenário urbano, mas que exigem respostas distintas.