Prefeito de Cuiabá diz que partido prioriza a formação de bancadas e evita assumir compromisso nacional que poderia gerar desgaste eleitoral em determinadas regiões.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o MDB evita declarar apoio nacional ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para preservar candidaturas de deputados federais em estados onde uma aproximação com o campo petista poderia gerar desgaste eleitoral. A declaração foi dada em 5 de agosto, em meio às articulações para as eleições de 2026.
Segundo Abilio, o MDB mantém integrantes no governo federal, mas prefere não transformar essa participação administrativa em uma aliança eleitoral nacional formal. Na avaliação apresentada pelo prefeito, o objetivo seria preservar candidatos que adotam discursos diferentes de acordo com a realidade política de seus estados.
Estratégia seria preservar bancadas
Abilio afirmou que a prioridade do MDB é ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados.
O prefeito também citou outras siglas que, segundo ele, adotariam comportamento semelhante, mantendo alianças regionais distintas da posição de suas direções nacionais.
A lógica apontada é comum ao sistema político brasileiro: partidos podem construir alianças diferentes nos estados para atender às características eleitorais locais, enquanto mantêm relações próprias no âmbito federal.
No caso do MDB, Abilio mencionou a participação da legenda no governo Lula como exemplo da distância entre a presença administrativa no Executivo federal e a construção de uma aliança eleitoral nacional.
2022 é usado como referência
Durante a declaração, o prefeito também recorreu à eleição presidencial de 2022.
Naquele pleito, o MDB lançou Simone Tebet à Presidência no primeiro turno. Após a votação, a legenda declarou apoio a Lula no segundo turno.
Abilio utilizou esse episódio para sustentar sua avaliação de que o comportamento do partido pode mudar conforme a etapa da disputa eleitoral.
A fala, contudo, representa a interpretação política do prefeito sobre a estratégia do MDB, e não uma decisão formal anunciada pela direção nacional da legenda para 2026.
Cenário de Mato Grosso complica alianças
Em Mato Grosso, a discussão nacional ganha contornos próprios porque o MDB participa das articulações eleitorais estaduais.
O próprio Estadão Mato Grosso registra que Abilio vem demonstrando resistência à composição entre PL e MDB no Estado. A aliança em discussão envolve Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo e Janaína Riva (MDB) para o Senado.
Esse cenário coloca o prefeito em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que mantém sua atuação dentro do PL, precisa lidar com alianças que envolvem partidos com posições distintas no cenário nacional.
Eleição ainda está em fase de articulação
As declarações ocorrem durante o período de formação das alianças para as eleições de outubro.
Nesse momento, partidos negociam candidaturas majoritárias, chapas proporcionais e alianças regionais. A posição definitiva de cada legenda pode depender dessas negociações.
Por enquanto, a fala de Abilio expõe sua leitura sobre os interesses eleitorais do MDB e evidencia uma das principais dificuldades das eleições brasileiras: conciliar estratégias nacionais com realidades políticas muito diferentes entre os estados.
O desfecho dessas negociações deverá definir quais alianças efetivamente serão formalizadas e quais ficarão restritas às articulações de bastidores.