Registro feito em 2013 contra Fábio Júnior Januário Dias revela que o relacionamento já tinha histórico de agressão antes do feminicídio ocorrido em Araguaiana
O feminicídio de Suenilda Vieira, de 37 anos, em Araguaiana revelou um dado que amplia a gravidade do caso: o marido apontado como autor do assassinato já havia sido denunciado por violência doméstica contra ela em 2013. O registro ocorreu 13 anos antes do crime que terminou com a mulher morta a tiros e um dos filhos baleado. Fábio Júnior Januário Dias, de 42 anos, morreu posteriormente em confronto com policiais durante uma tentativa de fuga.
O crime aconteceu na noite de quarta-feira (2), em uma propriedade rural do município.
Segundo as informações divulgadas, Fábio estava armado e teria ingerido bebida alcoólica quando iniciou a sequência de violência.
Suenilda foi atingida por disparos e morreu.
Um dos filhos também foi baleado.
Outro filho teria tentado impedir a agressão e entrou em luta corporal com o pai.
Treze anos entre a primeira denúncia e o crime
O registro de 2013 se tornou um dos principais elementos de contexto do caso.
Não se trata de uma ocorrência recente ou de um episódio registrado pouco antes do feminicídio.
Entre a denúncia e o assassinato transcorreram 13 anos.
Esse intervalo chama atenção para um dos desafios enfrentados pela rede de proteção: identificar situações em que a violência doméstica pode voltar a ocorrer e avaliar o nível de risco enfrentado pela vítima.
Segundo orientação reforçada pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher de Mato Grosso, agressões, ameaças, perseguições e comportamentos de controle devem ser comunicados às autoridades.
A busca por ajuda permite que o Estado tome conhecimento da situação e avalie mecanismos de proteção disponíveis.
Ausência de medida protetiva
Apesar do registro anterior, as informações divulgadas após o feminicídio indicam que Suenilda não possuía uma medida protetiva vigente no momento de sua morte.
Isso não significa, por si só, que a ocorrência de 2013 tenha sido ignorada pelas autoridades ou que uma medida protetiva necessariamente estivesse prevista naquela ocasião.
A situação mostra, porém, como o histórico de violência é um elemento relevante para a avaliação de risco.
Medidas de proteção são adotadas conforme as circunstâncias de cada caso e podem incluir restrições de contato e aproximação, entre outras providências previstas pela legislação.
Violência terminou em tragédia familiar
O ataque não atingiu apenas Suenilda.
Um dos filhos foi baleado na perna enquanto outro tentou impedir o pai.
Outra filha também teria sido alvo de disparos, mas conseguiu escapar sem ferimentos.
Após o crime, Fábio fugiu para uma área de mata.
A Força Tática localizou o homem durante as buscas.
Segundo a Polícia Militar, ele disparou contra os agentes e foi atingido no confronto.
O óbito foi constatado no local. Uma espingarda calibre .36 e munições foram apreendidas.
Caso reforça importância da denúncia
O histórico de 13 anos entre a primeira denúncia e o feminicídio transforma o caso em um exemplo da importância de não minimizar episódios de violência doméstica.
A violência pode começar com agressões físicas, ameaças, controle ou perseguição e evoluir para situações de risco extremo.
Por isso, a orientação das autoridades é que mulheres procurem ajuda diante dos primeiros sinais.
Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo 180.
Em Mato Grosso, também existem delegacias especializadas e estruturas específicas de atendimento.
A investigação sobre o feminicídio continua sob responsabilidade da Polícia Civil.
Fonte principal: FolhaMax, com informações cruzadas sobre o crime.