Direção estadual da sigla anuncia procedimentos disciplinares contra filiados que passaram a apoiar adversário do candidato escolhido pelo partido ao Governo de Mato Grosso
O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso anunciou nesta quarta-feira (2) que prepara procedimentos disciplinares contra prefeitos e lideranças que, mesmo filiados à sigla, passaram a apoiar politicamente a candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado, em oposição ao projeto encabeçado por Wellington Fagundes. A decisão foi confirmada pelo presidente estadual do partido, Ananias Filho.
A crise interna ganhou dimensão estadual porque envolve gestores e lideranças que foram eleitos com apoio da estrutura partidária, mas que agora aparecem no campo político adversário.
Entre os nomes citados na discussão estão a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira. Segundo a direção estadual, outros quadros ligados à legenda também passaram a se aproximar do grupo político de Pivetta.
Partido endurece discurso
Ananias Filho afirmou que divergências internas são legítimas, mas defendeu que filiados que não concordam com a posição partidária deveriam formalizar seu afastamento ou desfiliação antes de trabalhar publicamente contra o candidato escolhido pela legenda.
O presidente estadual destacou ainda que os casos considerados mais graves foram encaminhados ao departamento jurídico do partido.
A expectativa apresentada pela direção é de que os processos internos tenham direito à defesa dos envolvidos e possam levar entre 30 e 60 dias para uma definição, segundo as informações divulgadas.
A possibilidade de expulsão de filiados passou a fazer parte do debate interno.
O processo, porém, depende dos procedimentos previstos nas normas partidárias e da análise individual de cada caso.
Disputa expõe divisão no campo político
A situação evidencia um dos principais desafios enfrentados pelos partidos durante campanhas eleitorais: a diferença entre a posição formal da legenda e as alianças construídas regionalmente por prefeitos e lideranças.
Prefeitos possuem estruturas políticas próprias e, em muitos casos, constroem alianças que não coincidem integralmente com a estratégia definida pelas direções estaduais ou nacionais dos partidos.
No caso do PL, a divergência ganhou maior relevância porque o partido possui um candidato próprio ao governo, enquanto parte de seus quadros passou a demonstrar apoio ao principal adversário do projeto partidário.
A direção liberal tenta, com os procedimentos anunciados, reorganizar sua base e reforçar a fidelidade ao projeto eleitoral encabeçado por Wellington Fagundes.
Pivetta se torna ponto central da disputa
A aproximação de prefeitos e lideranças do PL com o grupo de Otaviano Pivetta transformou o movimento em um dos principais focos da disputa política em Mato Grosso.
A estratégia da direção partidária indica que o PL pretende diferenciar claramente aqueles que permanecem alinhados ao projeto oficial da sigla daqueles que decidiram apoiar outro candidato.
A disputa, portanto, vai além das eleições. O resultado dos processos internos poderá influenciar a composição política do partido nos municípios após o encerramento da campanha.
Por enquanto, a direção do PL afirma que os procedimentos serão conduzidos internamente e com garantia de defesa aos filiados envolvidos.