Direção estadual reage a manifestações de apoio ao governador Otaviano Pivetta e tenta conter divisão interna às vésperas das definições eleitorais
O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso elevou o tom contra integrantes da própria legenda que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, e passou a ameaçar medidas disciplinares, incluindo a expulsão de filiados que contrariem o projeto político definido pela sigla para as eleições de 2026.
A ofensiva ocorre em um momento de intensa disputa pelo comando das alianças políticas no estado. O problema para a direção partidária surgiu quando prefeitos e outras lideranças vinculadas ao PL passaram a demonstrar publicamente simpatia ou apoio ao projeto eleitoral de Pivetta, considerado um adversário na disputa majoritária estadual.
Segundo a reportagem do Blog do Valdemir, a direção estadual do partido decidiu adotar uma postura mais rígida para impedir que a divisão interna se amplie.
Racha expõe disputa por bases municipais
O centro da crise está no peso político das lideranças municipais.
Prefeitos e vereadores possuem influência direta na formação de palanques, na mobilização partidária e na estrutura das campanhas. Quando uma liderança local apoia um candidato de outro grupo, a consequência pode ser a fragmentação da estratégia eleitoral da própria legenda.
Entre os nomes citados no contexto da crise estão gestores municipais que manifestaram aproximação com Pivetta. O movimento expôs uma divergência entre as decisões das bases locais e a orientação da direção estadual do PL.
Direção fala em punição
A posição mais dura partiu da presidência estadual da legenda, comandada por Ananias Martins de Souza Filho.
A orientação divulgada é de que filiados que mantenham atuação política contrária às diretrizes partidárias possam ser submetidos a procedimentos internos.
A ameaça de expulsão, porém, não significa que qualquer desligamento possa ocorrer automaticamente. Partidos possuem regras estatutárias e procedimentos próprios para analisar infrações disciplinares e aplicar penalidades.
Por que a disputa ocorre agora?
O calendário político de 2026 acelerou as definições de alianças.
Mesmo antes das formalizações previstas pela legislação eleitoral, prefeitos, deputados e dirigentes partidários passaram a organizar seus grupos e testar apoios para as principais disputas estaduais.
No caso de Mato Grosso, a movimentação ocorre em um cenário competitivo. Pesquisa Quaest divulgada nos últimos dias apontou Wellington Fagundes, do PL, e Otaviano Pivetta em situação de proximidade na disputa pelo Governo do Estado, dentro da margem de erro informada pelo levantamento.
Esse cenário ajuda a explicar a preocupação da direção partidária com a manutenção de suas bases.
O que está em jogo
A crise dentro do PL envolve mais do que divergências individuais.
A legenda tenta preservar sua capacidade de apresentar um projeto eleitoral coeso, enquanto lideranças municipais avaliam alianças próprias e possíveis caminhos para 2026.
A ameaça de punições mostra que a disputa entre os principais grupos políticos de Mato Grosso já alcançou o interior das próprias estruturas partidárias.
O desfecho dependerá da reação dos filiados envolvidos, das decisões internas do partido e da evolução das alianças nos próximos meses.