A inadimplência nas taxas de condomínio se tornou um problema cada vez mais relevante para síndicos e administradoras no Brasil. Em 2025, o número de protestos em cartório relacionados a dívidas condominiais saltou 569%, passando de pouco mais de 15 mil registros em 2024 para mais de 100 mil no ano seguinte.
O avanço ocorre em um cenário de aumento dos custos de manutenção dos prédios e pressão sobre o orçamento das famílias.
Enquanto os condomínios precisam continuar pagando funcionários, contas de consumo, contratos de manutenção, segurança e limpeza, uma parcela dos moradores deixa de pagar ou atrasa as cotas mensais.
O resultado é uma pressão direta sobre o caixa dos empreendimentos.
Inadimplência chegou a 11,66%
Um levantamento realizado em aproximadamente 7 mil condomínios mostrou que a inadimplência condominial chegou a 11,66% no segundo semestre de 2025.
No mesmo período de 2024, o índice era de 9,83%.
O indicador chegou a um pico de 11,95% na primeira metade de 2025, segundo os dados apresentados pelo MyNews. As projeções mencionadas na reportagem apontam manutenção do índice em patamar elevado em 2026, próximo de 11%.
É importante separar esses números.
Os 11,66% representam o indicador de inadimplência nos condomínios pesquisados. Já o crescimento de 569% se refere ao número de protestos registrados em cartório.
Não significa, portanto, que a quantidade de moradores inadimplentes tenha aumentado 569%.
Boleto do condomínio ficou mais caro
A pressão também aparece no valor médio das cotas.
Segundo os dados publicados pelo MyNews, a taxa média de condomínio passou de R$ 413 em 2022 para R$ 522 no fim de 2025.
O aumento nominal foi de aproximadamente 26% em três anos.
Para muitas famílias, o condomínio representa uma despesa fixa relevante que precisa ser paga todos os meses independentemente da situação financeira.
Quando entram no orçamento despesas como aluguel ou financiamento, supermercado, energia, água, transporte, escola e outras contas, a cota condominial pode acabar sendo postergada.
O problema é que a dívida não desaparece.
Ela continua sendo cobrada e pode gerar consequências financeiras para o proprietário.
Mais de 100 mil dívidas foram protestadas
O salto dos protestos mostra que condomínios e administradoras estão recorrendo cada vez mais a mecanismos formais de cobrança.
Os registros passaram de pouco mais de 15 mil em 2024 para mais de 100 mil em 2025, crescimento de 569%.
Outro levantamento divulgado sobre o mesmo fenômeno aponta que os documentos protestados passaram de 15.071 para 100.815 no período.
A utilização do protesto representa uma tentativa de recuperar créditos sem depender exclusivamente de uma cobrança informal.
Dívida de um morador afeta todos
A inadimplência condominial possui uma característica diferente de outras dívidas pessoais.
Quando um morador deixa de pagar, os custos básicos do condomínio continuam existindo.
Funcionários precisam receber salários, elevadores precisam de manutenção, sistemas de segurança precisam permanecer funcionando e contas de água e energia das áreas comuns continuam vencendo.
Na prática, o condomínio precisa continuar funcionando mesmo arrecadando menos.
Se a inadimplência se torna elevada, os moradores que continuam pagando podem acabar pressionados por reajustes ou chamadas extraordinárias para cobrir despesas.
É justamente por isso que o controle da inadimplência é considerado uma questão de saúde financeira do condomínio.
Síndico precisa agir sem criar outro problema
Diante do aumento dos atrasos, o síndico precisa equilibrar dois objetivos.
O primeiro é garantir que o condomínio receba os valores devidos.
O segundo é evitar medidas improvisadas que possam gerar novos problemas jurídicos.
A cobrança deve seguir a legislação, a convenção condominial e os procedimentos adequados.
Também é importante que a administração tenha controle preciso dos valores em atraso e acompanhe a evolução da inadimplência.
Quanto mais cedo o problema é identificado, maior tende a ser a possibilidade de negociação e recuperação do crédito.
Transparência também é importante
O aumento das cobranças torna ainda mais importante que o síndico apresente aos moradores uma visão clara das contas.
A prestação de contas deve permitir que os condôminos compreendam quanto o condomínio arrecada, quanto está sendo gasto e qual o impacto da inadimplência sobre o orçamento.
Quando os moradores percebem que o dinheiro está sendo administrado corretamente, a cobrança tende a ser mais compreensível.
Por outro lado, falta de transparência pode aumentar conflitos e dificultar a aprovação de medidas para recuperar a saúde financeira do prédio.
Um problema que pode chegar a todos
O cenário apresentado pelo levantamento mostra que a inadimplência deixou de ser apenas uma questão individual entre um proprietário e o condomínio.
Quando os atrasos se acumulam, o impacto aparece na manutenção, nos contratos, no caixa e, em determinados casos, no bolso de quem continua pagando em dia.
O salto dos protestos em 2025 funciona como um sinal de alerta para administradores e moradores.
Mais do que cobrar uma dívida depois que ela cresce, os condomínios precisam acompanhar a arrecadação, manter reservas adequadas, controlar despesas e agir rapidamente diante dos primeiros sinais de deterioração financeira.
O desafio para 2026 é evitar que a pressão sobre o orçamento das famílias se transforme em uma crise financeira dentro dos próprios edifícios.