Mato Grosso se prepara para iniciar uma nova etapa na conectividade aérea com o exterior. A partir de janeiro de 2027, está prevista a operação do primeiro voo internacional regular de passageiros com saída direta de Mato Grosso, ligando Cuiabá a Buenos Aires, na Argentina. A rota será operada pela GOL com frequência semanal a partir do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande.
A abertura da rota é resultado de um processo que envolve infraestrutura aeroportuária, internacionalização do terminal, articulação do governo estadual e criação de mecanismos de incentivo para tornar economicamente viáveis novas operações.
A participação do ex-governador Mauro Mendes (União) é destacada porque parte dessa estratégia foi estruturada durante sua gestão, quando o Aeroporto Marechal Rondon passou por modernização e obteve a internacionalização definitiva pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em dezembro de 2024.
Internacionalização foi etapa decisiva
A possibilidade de Mato Grosso receber voos internacionais regulares dependia, entre outros fatores, de o principal aeroporto do Estado estar habilitado para operações internacionais.
Segundo informações divulgadas sobre o processo, o Marechal Rondon foi modernizado durante a gestão de Mauro Mendes e recebeu a autorização necessária para operar voos internacionais de passageiros.
A mudança não significou, automaticamente, que companhias aéreas passariam a oferecer rotas para outros países.
A decisão de abrir uma conexão internacional depende de fatores como demanda, ocupação das aeronaves, custos, frequência, estrutura operacional e perspectiva de sustentabilidade financeira.
É justamente nesse ponto que entrou a política estadual de incentivo.
Estado criou programa de até R$ 10 milhões
Em dezembro de 2025, Mato Grosso criou, por meio da Lei Estadual nº 13.191/2025, um programa de subvenção econômica destinado a estimular companhias aéreas a implantar ou ampliar operações internacionais de passageiros ou cargas.
O limite global previsto é de até R$ 10 milhões por ano. O mecanismo foi regulamentado posteriormente e estabelece critérios para que o Estado possa complementar custos operacionais de novas rotas dentro das condições previstas na legislação.
A lógica é reduzir o risco inicial para as empresas aéreas enquanto uma nova rota ainda está formando demanda.
A expectativa do governo é que, depois de consolidada, a operação consiga se sustentar comercialmente com a procura dos passageiros.
Buenos Aires será a primeira conexão regular
O destino escolhido para inaugurar essa nova fase será Buenos Aires.
A operação direta deverá facilitar o deslocamento de moradores de Mato Grosso para a Argentina sem a necessidade de conexão em São Paulo, Brasília ou outros grandes centros.
A rota também cria uma porta de entrada direta para turistas estrangeiros interessados em visitar Mato Grosso, especialmente destinos ligados ao ecoturismo, ao agronegócio e aos grandes eventos realizados no Estado.
O impacto econômico, entretanto, dependerá da capacidade de manter a ocupação dos voos e transformar a conexão em uma operação sustentável ao longo do tempo.
Mauro defende novas rotas
O tema também passou a fazer parte do discurso de Mauro Mendes durante a campanha para o Senado.
Em evento realizado em Cuiabá pela CDL Cuiabá, Fenabrave-MT, Sindipetróleo e Abrasel, Mauro afirmou que Mato Grosso precisa ampliar os investimentos em turismo e criar demanda suficiente para que novas rotas internacionais sejam comercialmente viáveis.
O ex-governador também defendeu a continuidade das negociações com companhias aéreas para ampliar a conectividade do Estado.
Durante sua gestão, o governo estadual havia iniciado tratativas para apresentar às empresas o potencial econômico e turístico de Mato Grosso. Entre as possibilidades discutidas esteve uma conexão com o Peru.
Em março de 2026, Mauro também participou de articulações em Brasília relacionadas à busca por novas conexões internacionais.
O desafio agora é manter as rotas
A chegada do primeiro voo internacional regular é um marco de infraestrutura e conectividade, mas não encerra o desafio.
Uma rota aérea precisa de passageiros suficientes para permanecer economicamente viável.
O próprio Mauro reconheceu essa questão ao defender que o Estado pode ajudar a iniciar uma operação, mas que, no longo prazo, a demanda precisa sustentar o serviço.
Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que a aviação no Centro-Oeste apresentou forte crescimento em 2026. Entre janeiro e abril, os aeroportos da região movimentaram 33,7 milhões de passageiros domésticos, 6,5% acima do mesmo período de 2025. O Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, movimentou mais de 820 mil passageiros no período.
O cenário cria uma base relevante para a expansão da conectividade, mas o desempenho de uma rota internacional depende de fatores específicos.
Se a ligação com Buenos Aires alcançar demanda suficiente, poderá servir como referência para novas negociações.
Para Mato Grosso, a mudança mais importante é deixar de depender exclusivamente de conexões em outros estados para alcançar destinos internacionais.
A partir de 2027, se o cronograma previsto for mantido, o Estado passará a ter uma conexão aérea internacional regular própria — resultado de uma combinação de investimentos, habilitação aeroportuária, política pública de incentivo e articulação com companhias aéreas.