Um áudio de aproximadamente três minutos e 50 segundos, atribuído ao deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), provocou repercussão política e jurídica em Mato Grosso após circular por aplicativos de mensagens. Na gravação, uma voz atribuída ao parlamentar aparece discutindo com uma mulher, que é apresentada nas reportagens como empresária, com ameaças e uma sequência de ofensas. O deputado nega ser o autor da gravação e afirma que o material pode ter sido editado.
A controvérsia ganhou um novo capítulo porque a Justiça de Mato Grosso concedeu medidas protetivas de urgência em favor da mulher. A decisão foi proferida pelo juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, da 1ª Vara da Comarca de Sapezal, no dia 8 de setembro.
Entre as determinações está a proibição de o deputado se aproximar da mulher a menos de 100 metros, além da restrição de contato com ela, familiares e testemunhas, segundo reportagens sobre a decisão.
O que aparece no áudio
Na gravação divulgada pelo Página 12, uma voz atribuída ao deputado responde afirmativamente quando a interlocutora pergunta se estaria sendo ameaçada.
Em outro trecho, aparece a frase que deu nome à repercussão do episódio: “Você vai ver o doido”.
A conversa também contém xingamentos e acusações entre os interlocutores. A mulher questiona o comportamento do parlamentar e relaciona o episódio à sua atuação política.
No entanto, há uma questão fundamental: a gravação não teve sua autenticidade confirmada por perícia pública até o momento.
O próprio material jornalístico registra que não é possível identificar com segurança a mulher, a empresa mencionada ou o contexto que provocou a discussão. Também não há confirmação técnica pública de que a voz seja realmente a de Chico Guarnieri.
Deputado nega autoria
Procurado para comentar o episódio, Chico Guarnieri afirmou que não reconhece a gravação como sendo sua.
O parlamentar também alegou que o áudio teria sido editado e conteria diferentes vozes. Segundo ele, não seria possível confirmar a autoria apenas pela circulação do arquivo em redes sociais.
Chico classificou a divulgação como uma ação política de adversários e afirmou que pretende buscar a Justiça Eleitoral. Ele também defendeu que o material seja submetido a perícia técnica para verificar a autenticidade da voz e a eventual existência de cortes ou manipulações.
Essa versão é diferente da apresentada pela mulher, que levou o caso à Justiça e obteve as medidas protetivas.
Medida protetiva não representa condenação
A decisão judicial precisa ser compreendida dentro de sua natureza jurídica.
Medidas protetivas são instrumentos de proteção destinados a evitar contato ou aproximação em situações consideradas de risco. Sua concessão não equivale, por si só, a uma sentença criminal definitiva sobre a autoria ou a existência de todos os fatos narrados na denúncia.
No caso, a Justiça determinou restrições ao deputado enquanto o episódio permanece sob apuração.
O processo tramita sob segredo de Justiça, segundo informações divulgadas pela imprensa local.
Caso ganha dimensão eleitoral
A repercussão ocorre em meio ao período eleitoral de 2026 e envolve um deputado estadual que é candidato à reeleição.
O próprio parlamentar relacionou a divulgação do áudio à disputa política e afirmou que adversários estariam por trás da divulgação.
Essa alegação, contudo, é uma versão apresentada pelo deputado e não deve ser tratada como fato comprovado sem evidências independentes.
O ponto que já possui confirmação judicial é a existência das medidas protetivas.
Já a autoria da voz, a integridade do áudio e o contexto completo da conversa ainda precisam ser esclarecidos por investigação e eventual perícia.
Enquanto isso, o caso permanece dividido entre duas versões: a da mulher, que afirma ter sido ameaçada e ofendida, e a do deputado, que nega reconhecer a voz e afirma ser vítima de uma ação política.