Senador teve candidatura ao Governo homologada, porém apenas quatro dos 22 prefeitos do partido compareceram ao encontro realizado em Cuiabá.
A convenção estadual que oficializou Wellington Fagundes como candidato do PL ao Governo de Mato Grosso foi marcada pela ausência de 18 dos 22 prefeitos da legenda. Apesar do esvaziamento promovido pelas principais lideranças municipais, o senador evitou cobrar apoio imediato e afirmou compreender que os gestores precisam manter diálogo com diferentes esferas de governo para atender às demandas de suas cidades.
O encontro foi realizado na quarta-feira, 22 de julho, na sede estadual do partido, em Cuiabá. A candidatura de Wellington foi homologada, mas a baixa presença de prefeitos revelou que a decisão formal da sigla não encerrou as divergências internas.
Entre os ausentes estavam Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis. Os dois municípios representam, respectivamente, o segundo e o terceiro maiores colégios eleitorais de Mato Grosso.
Apenas quatro prefeitos compareceram
O PL possui 22 prefeitos em exercício no estado. Segundo os levantamentos divulgados após a convenção, apenas quatro participaram do evento.
A lista de ausentes incluiu gestores de municípios de diferentes regiões, como Nova Lacerda, Juscimeira, Tapurah, Tabaporã, Alto Garças, Campo Novo do Parecis, Ribeirão Cascalheira, Itanhangá, Vila Rica, Ipiranga do Norte, Novo São Joaquim, São José do Rio Claro, Santo Antônio do Leste, Conquista d’Oeste, Santa Carmem e Primavera do Leste.
A dimensão do esvaziamento oferece um indicador político, mas precisa ser interpretada com cautela. A ausência não equivale automaticamente a rompimento partidário ou declaração formal de apoio a outro candidato.
Alguns prefeitos mantêm proximidade administrativa com o governador Otaviano Pivetta e dependem de convênios estaduais para executar obras. Outros podem ter evitado comparecer para não assumir compromisso público antes da conclusão das alianças.
Wellington adota tom conciliador
Ao comentar o episódio, Wellington reconheceu que os prefeitos precisam conversar com o Governo do Estado e outras instituições para garantir recursos aos municípios.
A postura evitou uma cobrança direta por fidelidade eleitoral e reduziu, ao menos momentaneamente, a possibilidade de confronto público.
O discurso também protege a candidatura de uma imagem de isolamento. Em vez de acusar os ausentes de infidelidade, o senador tratou a relação institucional dos gestores como parte das responsabilidades administrativas.
No entanto, a campanha precisará descobrir quantos desses prefeitos estarão efetivamente dispostos a subir no palanque do PL quando começar a propaganda.
Relação com Pivetta divide a legenda
Parte dos gestores liberais demonstra simpatia pela reeleição de Pivetta, do Republicanos. O governador busca manter a base municipal ligada ao projeto político iniciado na administração estadual anterior.
Essa aproximação cria uma situação delicada. O PL possui candidato próprio, mas alguns de seus principais prefeitos mantêm relação política com o adversário.
A direção estadual já sinalizou que espera fidelidade às decisões da convenção. Contudo, eventuais sanções dependem das regras partidárias, da conduta concreta dos filiados e dos procedimentos internos de defesa.
A fidelidade partidária é especialmente rígida para mandatos proporcionais, como os de vereadores e deputados. Prefeitos são eleitos pelo sistema majoritário, e conflitos sobre apoio eleitoral precisam ser analisados conforme o estatuto e a legislação aplicável.
Convenção formaliza candidatura, mas não garante palanque
Wellington anunciou a convenção depois de uma reunião com a direção nacional do PL, em Brasília. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, participou da articulação para consolidar a candidatura em Mato Grosso.
O apoio da direção nacional oferece segurança partidária ao senador, mas uma campanha estadual depende também de estruturas locais.
Prefeitos têm capacidade de mobilização, diálogo com vereadores, presença em eventos e influência sobre grupos regionais. A falta desse apoio pode dificultar a campanha em municípios onde o candidato não possui organização própria.
Por outro lado, o PL mantém forte identificação com o eleitorado conservador em Mato Grosso e poderá utilizar a estrutura nacional, candidaturas proporcionais e lideranças bolsonaristas para compensar parte da resistência municipal.
Próxima etapa será medir apoio real
O verdadeiro tamanho do racha ficará mais claro depois de 16 de agosto, quando a propaganda eleitoral estiver autorizada.
Será possível observar quais prefeitos comparecerão a eventos, aparecerão em materiais de campanha ou declararão apoio a Wellington, Pivetta ou outro candidato.
Até lá, a convenção produziu duas mensagens simultâneas: Wellington possui o controle formal da candidatura do PL, mas ainda não demonstrou controle político sobre a maioria dos prefeitos da legenda.
A reportagem-base foi publicada pelo Esportes & Notícias. A ausência de 18 prefeitos também foi registrada pelo MidiaNews.