Convenções começam a transformar pré-candidaturas em projetos oficiais, enquanto Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta e Jayme Campos disputam apoios dentro do mesmo campo político.
Faltando 73 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, a corrida pelo Governo de Mato Grosso entrou na etapa em que negociações de bastidores precisam se transformar em decisões formais. Wellington Fagundes, do PL, Otaviano Pivetta, do Republicanos, e Jayme Campos, do União Brasil, aparecem no centro das articulações que envolvem alianças, candidaturas próprias e disputas pelo controle do eleitorado de direita e centro-direita no estado.
O período de convenções partidárias começou em 20 de julho. É nessa fase que as legendas aprovam candidaturas, definem coligações para os cargos majoritários e autorizam seus dirigentes a concluir negociações sobre vice-governador e suplências ao Senado. A propaganda eleitoral geral começará em 16 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral.
Embora o clima de campanha já esteja instalado, o quadro ainda não está completamente definido. As convenções revelam que parte das dificuldades não está apenas na disputa entre partidos, mas dentro das próprias legendas.
Wellington oficializa candidatura sob resistência interna
O PL confirmou Wellington Fagundes como candidato ao Governo, mas a convenção evidenciou uma divisão entre o projeto do senador e prefeitos do partido que mantêm proximidade com Pivetta.
A ausência de 18 dos 22 prefeitos liberais na convenção foi interpretada como um sinal de enfraquecimento da unidade partidária. Entre os ausentes estavam gestores de municípios politicamente relevantes, como Rondonópolis e Várzea Grande. Apenas quatro prefeitos compareceram ao encontro que homologou a candidatura.
A falta coletiva não prova, isoladamente, que todos os ausentes votarão ou trabalharão contra Wellington. Prefeitos costumam manter relações administrativas com governos estaduais e federais, independentemente da filiação partidária, para buscar obras, convênios e repasses.
Ainda assim, o número de ausências expõe uma dificuldade real: transformar a decisão da direção do PL em apoio efetivo nos municípios.
Pivetta tenta reunir a base governista
Otaviano Pivetta procura consolidar a estrutura política que sustentou a administração estadual nos últimos anos. Seu projeto depende da manutenção de aliados do Republicanos e da atração de lideranças filiadas a outras legendas, inclusive ao PL e ao União Brasil.
A estratégia provoca tensão porque parte dos prefeitos liberais considera positiva a relação administrativa com o governador, enquanto a direção do PL exige alinhamento com a candidatura própria de Wellington.
Essa disputa não envolve apenas a eleição de 2026. Apoios definidos agora poderão influenciar a formação das chapas de 2030, quando novas vagas para o Senado e o Governo estarão em disputa. Essa leitura, porém, é uma projeção dos bastidores políticos e não um acordo formal confirmado entre os envolvidos.
União Brasil ainda pode alterar o cenário
O União Brasil enfrenta uma decisão igualmente importante. Jayme Campos defende candidatura própria ao Palácio Paiaguás, enquanto o grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes trabalha pelo apoio a Pivetta.
Caso Jayme seja confirmado, Mato Grosso terá ao menos três candidaturas competitivas disputando setores semelhantes do eleitorado. Se o União optar por Pivetta, o governador poderá ampliar sua base e concentrar mais forças políticas em torno da reeleição.
A definição também afeta a disputa pelo Senado, as candidaturas proporcionais e a escolha do vice-governador. Por isso, partidos que ainda não concluíram suas convenções acompanham o desfecho antes de fechar alianças.
Ausência de liderança única fragmenta a direita
Nas últimas eleições, candidatos associados ao campo conservador tiveram forte desempenho em Mato Grosso. Em 2026, porém, esse eleitorado chega dividido entre diferentes projetos estaduais.
Wellington busca transformar sua trajetória parlamentar e a estrutura nacional do PL em força eleitoral. Pivetta apresenta a continuidade administrativa e tenta manter prefeitos próximos ao Governo. Jayme aposta na tradição política do grupo Campos e na estrutura do União Brasil.
Nenhum desses fatores, isoladamente, garante vitória. A capacidade de reunir prefeitos, parlamentares, recursos, tempo de campanha e presença regional será testada depois das convenções.
Pesquisas eleitorais também devem ser interpretadas como retratos do momento em que foram realizadas. O registro das candidaturas, o início da propaganda, a formação das chapas e os debates podem alterar o comportamento do eleitor.
Registro ainda será analisado pela Justiça Eleitoral
A aprovação em convenção não torna automaticamente uma pessoa candidata em situação definitiva. Depois da escolha partidária, o pedido de registro deve ser apresentado à Justiça Eleitoral, que verifica filiação, documentação, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade.
O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que o pedido de registro é etapa indispensável para a participação formal no pleito.
Até a conclusão das convenções e dos registros, a corrida permanece sujeita a mudanças. O que já está claro é que a eleição estadual não será definida apenas pela oposição entre governo e adversários. Ela também será moldada pelas divisões existentes dentro da própria base conservadora.
A pauta original foi publicada pelo Blog do Valdemir.