Decisão do STJ descreve movimentações bancárias atribuídas a Felipe José Glinke e menciona episódios registrados por câmeras de segurança; investigação apura a origem dos valores e o possível papel do assessor no esquema.
O assessor jurídico da Presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Felipe José Glinke, teria recebido R$ 9.932.818,72 em movimentações financeiras consideradas suspeitas pela investigação da Operação Tomada de Contas. Segundo reportagem do RepórterMT, um dos episódios analisados ocorreu em 23 de setembro de 2025, quando o assessor teria percebido a presença de uma pessoa próxima aos caixas de uma agência bancária e feito um sinal para adiar a retirada do dinheiro. A investigação interpreta a conduta como possível tentativa de evitar a observação da operação, mas essa conclusão integra a análise policial e não representa, isoladamente, prova definitiva de crime.
As informações foram divulgadas pelo RepórterMT, com base em elementos mencionados na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O caso faz parte da investigação sobre supostas irregularidades em pagamentos e movimentações financeiras no TCE-MT. A Polícia Federal busca esclarecer como os recursos foram transferidos, quem realizou os saques e qual seria a destinação do dinheiro.
Investigação descreve episódio em agência bancária
De acordo com a reportagem, no dia 23 de setembro de 2025, Felipe Glinke estava em uma agência bancária quando teria desconfiado da presença de uma terceira pessoa nas proximidades dos caixas.
A investigação aponta que ele decidiu retardar a operação e aguardou até que a pessoa deixasse o local. Depois disso, teria retornado para receber o dinheiro.
Na avaliação descrita na decisão judicial, a sequência levantou suspeitas sobre a preocupação do investigado com a possibilidade de estar sendo observado. A interpretação faz parte dos elementos considerados pelas autoridades, mas deve ser analisada em conjunto com as demais provas.
O episódio ganhou relevância porque a Polícia Federal também teria identificado registros de outras movimentações atribuídas ao assessor em diferentes datas.
Câmeras registraram outras movimentações
Segundo os documentos reproduzidos na reportagem, imagens de segurança registraram a presença de Felipe Glinke em operações bancárias nos dias 5 e 16 de setembro, 23 de setembro e 7 de outubro de 2025.
Os registros foram utilizados pelos investigadores para reconstruir a sequência das movimentações e examinar a maneira como o dinheiro era retirado e manuseado.
Outro episódio citado ocorreu em 7 de outubro de 2025, em uma agência do Sicoob. Conforme a decisão mencionada pelo RepórterMT, o assessor teria assinado um documento em branco, recebido o dinheiro e retornado depois para devolver parte do valor a uma funcionária bancária.
A quantia devolvida teria sido anotada em um caderno mantido na gaveta da atendente, segundo o relato reproduzido na publicação.
Esses registros são considerados relevantes para a investigação, que procura estabelecer a relação entre as operações, os valores movimentados e a eventual existência de uma estrutura organizada para retirar dinheiro em espécie.
Valor investigado ultrapassa R$ 9,9 milhões
A quantia atribuída a Felipe Glinke, de R$ 9.932.818,72, é um dos elementos financeiros analisados no procedimento.
A investigação procura esclarecer a origem desses recursos e a razão pela qual os valores teriam sido movimentados por meio de operações bancárias sucessivas. O total apontado pela reportagem não deve ser automaticamente interpretado como dinheiro desviado ou como valor cuja origem ilícita já tenha sido judicialmente comprovada.
Para estabelecer a responsabilidade de cada investigado, as autoridades precisam demonstrar a natureza das operações, a relação entre os recursos e os pagamentos examinados e a eventual participação consciente dos envolvidos.
A análise de imagens, extratos, ordens bancárias e documentos financeiros permite reconstruir as operações, mas a interpretação final depende do conjunto probatório.
Prisão e encaminhamento ao sistema penitenciário
Conforme o RepórterMT, Felipe Glinke passou por audiência de custódia em 29 de outubro de 2026 e foi transferido para o Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
A transferência ocorreu no contexto das medidas adotadas na Operação Tomada de Contas. A prisão preventiva tem natureza cautelar e não equivale a uma condenação criminal.
O caso integra uma apuração mais ampla que envolve pagamentos suspeitos, saques em espécie e possíveis operadores financeiros ligados ao tribunal. Outros servidores, conselheiros e particulares também são mencionados em reportagens sobre a operação.
O que a investigação ainda precisa comprovar
As autoridades precisam esclarecer a origem dos R$ 9,9 milhões atribuídos ao assessor, a finalidade das retiradas, o destino dos valores e a relação entre as operações bancárias e o suposto esquema investigado.
Também é necessário considerar as explicações da defesa e verificar se os registros apontados pela polícia encontram correspondência em outros documentos e depoimentos.
O episódio descrito na agência bancária é um dos elementos citados na investigação, mas não deve ser tratado isoladamente como comprovação de culpa.