Grhegory Paiva é investigado por supostamente receber R$ 32,3 milhões; empresa da qual ele e a esposa são sócios também aparece em documentos analisados na Operação Tomada de Contas.
O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, foi preso no âmbito da Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades em pagamentos e movimentações financeiras ligados ao tribunal. Segundo reportagem publicada pelo Única News em 31 de outubro de 2026, a Polícia Federal apura se ele teria recebido R$ 32,3 milhões relacionados ao suposto esquema. Grhegory é marido da procuradora da República Marianne Cury Paiva, integrante do Ministério Público Federal em Mato Grosso. O vínculo familiar e a existência de uma empresa em comum foram mencionados na cobertura do caso, mas não demonstram, por si só, participação da procuradora nas irregularidades investigadas.
As informações foram divulgadas pelo Única News, com base em elementos da investigação e em decisão judicial relacionada à operação.
A apuração busca esclarecer a origem dos recursos atribuídos ao consultor, a natureza dos pagamentos e a eventual conexão entre as movimentações financeiras e o suposto esquema de irregularidades no TCE-MT.
Investigação aponta pagamentos milionários
Segundo a reportagem, a Polícia Federal identificou movimentações que teriam resultado em R$ 32,3 milhões atribuídos a Grhegory Paiva no contexto investigado.
O valor é objeto de apuração e não deve ser interpretado automaticamente como montante desviado ou como prova definitiva de recebimento ilícito. A natureza dos pagamentos, sua justificativa administrativa e a relação com os fatos investigados precisam ser esclarecidas por meio da análise dos documentos.
A Operação Tomada de Contas examina diferentes tipos de movimentações, incluindo ordens bancárias, saques em espécie, transferências e pagamentos realizados sob rubricas destinadas a fornecedores.
A investigação procura determinar se os recursos correspondiam a pagamentos legítimos ou se faziam parte de um mecanismo de repasse irregular de dinheiro público.
Empresa do casal aparece na investigação
Outro ponto destacado na reportagem é a participação de Grhegory e Marianne na empresa G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., aberta em Cuiabá em fevereiro de 2024, com capital social de R$ 60 mil, conforme as informações publicadas.
A empresa é mencionada na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, segundo a reportagem. Os investigadores examinam possíveis aportes de recursos que teriam relação com valores atribuídos ao consultor.
A existência da empresa e sua inclusão nos documentos judiciais justificam a análise de suas operações, mas não comprovam, por si sós, que todos os recursos movimentados pela sociedade tenham origem ilícita.
Para esclarecer a situação, é necessário identificar a origem de cada aporte, a destinação dos valores e a relação entre as operações empresariais e os pagamentos sob investigação.
Quem é a procuradora mencionada
Marianne Cury Paiva é procuradora da República e atua no Ministério Público Federal em Mato Grosso. De acordo com a publicação, ela é responsável pelo 4º Ofício da Procuradoria da República no estado, com atuação na área ambiental.
A relação conjugal com um investigado foi mencionada pela imprensa em razão da repercussão do caso e da existência de uma empresa compartilhada pelo casal.
Entretanto, o vínculo familiar não constitui prova de participação em irregularidades. Para atribuir responsabilidade a qualquer pessoa, é necessário apresentar elementos concretos que demonstrem sua eventual atuação nos fatos investigados.
As informações consultadas não estabelecem que Marianne tenha sido presa, denunciada ou apontada como participante do suposto esquema.
Operação apura suspeitas de irregularidades no TCE-MT
A Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de pagamentos irregulares e circulação de recursos envolvendo integrantes, servidores e pessoas relacionadas ao tribunal. A apuração também alcança possíveis operadores financeiros e empresas que aparecem nos registros analisados.
O presidente afastado do TCE-MT, Sérgio Ricardo, é apontado pela Polícia Federal como suposto líder do esquema investigado, segundo a reportagem. Essa atribuição integra a hipótese policial e deve ser tratada como tal enquanto não houver decisão definitiva sobre os fatos.
A análise de movimentações bancárias, documentos administrativos e vínculos empresariais é utilizada para reconstruir a trajetória dos recursos e identificar possíveis beneficiários.
A complexidade do caso exige que cada operação seja examinada individualmente, evitando que a participação em uma empresa ou a relação profissional com um investigado seja tratada como prova automática de crime.
O que ainda precisa ser esclarecido
A investigação deverá esclarecer a natureza dos R$ 32,3 milhões atribuídos a Grhegory, a origem dos recursos, a justificativa dos pagamentos e o eventual papel do consultor nas operações examinadas.
Também será necessário detalhar os aportes relacionados à empresa do casal e verificar se há elementos que sustentem a hipótese de irregularidade.
As informações consultadas não permitem afirmar que a procuradora da República tenha participado do suposto esquema. A situação jurídica de cada envolvido deve ser avaliada com base nos elementos específicos que lhe forem atribuídos.
Fonte: Única News — Consultor do TCE-MT preso é marido de procuradora da República em Mato Grosso.