Perícia encontrou vestígios na casa e no veículo usado na fuga; investigadores também rastreiam celulares e outros carros que podem ter dado apoio ao grupo
A Polícia Civil ampliou nesta terça-feira (29) as diligências para identificar os responsáveis pelo ataque contra o vereador Wesley Cláudio (Novo) e sua família, ocorrido na madrugada de segunda-feira (28), em Rondonópolis, no sul de Mato Grosso.
O parlamentar e os familiares foram mantidos reféns dentro da própria residência durante um assalto que durou mais de três horas. Wesley foi agredido, levou uma coronhada e teve parte da orelha direita cortada pelos criminosos.
Até o momento, ninguém foi preso. A investigação, porém, avançou na identificação da possível estrutura utilizada pelo grupo. Informações repassadas pelas forças de segurança indicam que até cinco pessoas podem ter participado da ação, embora apenas dois homens tenham entrado diretamente na residência.
Polícia acredita em participação de pessoas do lado de fora
A hipótese de uma quadrilha maior surgiu a partir da análise da dinâmica do crime.
Segundo informações obtidas pelas autoridades, dois homens invadiram a residência e renderam Wesley, a esposa e os dois filhos. A investigação considera que um terceiro suspeito pode ter permanecido do lado de fora do imóvel, dando suporte à ação.
Os investigadores também apuram a participação de outras pessoas que teriam mantido contato com os invasores durante o assalto. Segundo relatos divulgados nesta terça-feira, os criminosos teriam realizado chamadas de vídeo durante a ação, o que levantou a possibilidade de que outros integrantes acompanhassem a movimentação à distância.
Com isso, a polícia trabalha atualmente com uma estimativa de quatro a cinco envolvidos, mas essa quantidade ainda não é definitiva.
Outros veículos são rastreados
A investigação também identificou outros veículos que podem ter dado apoio aos criminosos durante a fuga.
O Volkswagen Polo pertencente à família, levado da residência após o assalto, foi localizado posteriormente e passou por perícia.
A Politec recolheu vestígios no veículo e na residência. Amostras e outros materiais coletados foram encaminhados para Cuiabá, onde serão submetidos a exames capazes de auxiliar na identificação dos envolvidos.
Além da perícia, os investigadores trabalham com rastreamento de aparelhos celulares e cruzamento de dados para tentar estabelecer a movimentação dos suspeitos antes, durante e depois do crime.
Criminosos diziam ter informação sobre R$ 1 milhão
Um dos principais pontos da investigação é descobrir de onde veio a informação de que o vereador teria R$ 1 milhão guardados em casa.
Durante o assalto, os criminosos exigiram que Wesley entregasse essa quantia e afirmaram que tinham informações sobre a existência do dinheiro na residência.
A família negou possuir o valor.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública, os criminosos acabaram levando aproximadamente R$ 42 mil em dinheiro, além de celulares, joias e alianças.
A origem dessa informação passou a ser um dos focos da investigação. Os policiais querem saber se os criminosos receberam a informação de alguém que conhecia a rotina da família ou se obtiveram os dados por outro meio.
O próprio boletim de ocorrência registra que os invasores afirmaram estar monitorando a rotina da família havia cerca de três dias.
Essa informação ainda está sendo investigada e não significa, neste momento, que exista alguém próximo ao vereador envolvido no crime.
Família ficou sob ameaça durante horas
Wesley, a esposa e os dois filhos foram rendidos e amarrados dentro da residência.
Durante o período em que permaneceram no imóvel, os criminosos procuraram dinheiro e objetos de valor. O vereador sofreu agressões físicas e teve parte da orelha cortada.
A esposa também teria sido agredida e estrangulada, enquanto um dos filhos foi ameaçado durante a ação. As informações constam do relato registrado pelas autoridades e ainda integram a investigação.
Após a saída dos criminosos, um dos filhos conseguiu se libertar e ajudar os demais familiares.
Wesley e a esposa receberam atendimento médico. O vereador chegou a permanecer em observação no Hospital Regional de Rondonópolis, mas recebeu alta médica na segunda-feira à tarde, após receber pontos na orelha direita.
Segurança reforçou buscas em Rondonópolis
A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Suzane Tamanho, esteve em Rondonópolis e acompanhou pessoalmente o andamento das investigações.
Foram mobilizadas equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Força Tática, Rotam e Bope. A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis também atua na apuração.
A Polícia Civil informou que realiza perícia, análise de vestígios, levantamento de imagens de câmeras de segurança e coleta de informações para identificar todos os envolvidos.
Até o momento, não há confirmação oficial de prisão ou identificação pública dos suspeitos.
A investigação continua para esclarecer quem planejou o crime, quem participou diretamente da invasão, quem teria prestado apoio externo e como os criminosos obtiveram informações sobre o vereador e sua família.