Trabalhadores pedem estabilidade de um ano; empresa afirma que reivindicações anteriores já foram atendidas e que segue em negociação com os funcionários
A coleta de lixo domiciliar de Cuiabá foi parcialmente afetada nesta quarta-feira (26) após funcionários da Locar Saneamento Ambiental, empresa responsável pelo serviço na Capital, interromperem parte das atividades. O movimento começou na noite de terça-feira (25) e deixou aproximadamente 70% da frota fora de circulação, segundo informações divulgadas sobre a paralisação. Os trabalhadores reivindicam, entre outros pontos, estabilidade no emprego pelo período de um ano.
A paralisação ocorre em meio a uma sequência de reclamações apresentadas pelos trabalhadores sobre as condições de trabalho na empresa. Entre os problemas relatados estão atrasos em pagamentos de férias, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), jornadas consideradas excessivas e redução das equipes responsáveis pela coleta.
Também foram relatados pelos funcionários supostos episódios de assédio moral e problemas relacionados ao repasse de parcelas de empréstimos consignados que já haviam sido descontadas dos salários.
A reivindicação que levou ao movimento atual, porém, está relacionada principalmente à estabilidade. Segundo informações divulgadas sobre a negociação, uma comissão de trabalhadores passou a cobrar que os empregados tenham garantia de permanência no emprego por 12 meses.
Empresa diz que acordos já começaram a ser cumpridos
A Locar apresenta uma versão diferente sobre a situação.
A empresa afirma que as reivindicações apresentadas anteriormente pelos trabalhadores foram atendidas e que as medidas acordadas já começaram a ser cumpridas. De acordo com a empresa, o pedido de estabilidade surgiu depois dessa rodada de negociações.
A Locar também informou que foram acordados benefícios adicionais para os coletores, entre eles vale-lanche de R$ 180 mensais, vale-refeição de R$ 1,1 mil e vale-combustível.
A companhia informou ainda que concedeu, em fevereiro deste ano, reajuste salarial de 7,89%. Com a correção, o salário-base informado passou a ser de R$ 1.903,13, além do adicional de insalubridade de 40%.
A empresa reafirmou que mantém o compromisso com as obrigações trabalhistas, incluindo FGTS e férias, e destacou que essas obrigações devem ser diferenciadas dos benefícios adicionais discutidos durante as negociações.
Problema não é novo
A paralisação atual ocorre em um setor que já enfrentou conflitos trabalhistas anteriormente.
Em abril de 2026, trabalhadores da Locar chegaram a interromper temporariamente as atividades e denunciaram problemas relacionados a condições de trabalho, jornadas e estrutura dos caminhões. Na ocasião, funcionários também fizeram reclamações sobre suposto assédio moral e condições consideradas inadequadas para a execução do serviço.
A própria relação entre trabalhadores, empresas responsáveis pela coleta e poder público já produziu outros episódios de paralisação em anos anteriores.
Isso ajuda a explicar por que uma disputa trabalhista dentro da empresa pode rapidamente ganhar dimensão pública: a coleta de resíduos é um serviço essencial para o funcionamento cotidiano da cidade.
Impacto chega diretamente às ruas
Com a redução da frota em circulação, diferentes regiões de Cuiabá podem registrar atrasos ou interrupções nos itinerários de coleta.
O episódio também coloca novamente em discussão a relação entre a administração municipal e a empresa contratada para executar o serviço.
Em julho, levantamento do Instituto Veritá divulgado pela imprensa apontou a coleta de lixo como o serviço público mais bem avaliado entre os pesquisados na gestão do prefeito Abilio Brunini, com nota 6,81. A pesquisa indicava melhora em relação ao início da administração, quando o serviço havia enfrentado problemas de regularidade.
O contraste mostra a dimensão do desafio: enquanto os indicadores de percepção sobre a coleta haviam melhorado, a paralisação recoloca no centro do debate as condições de trabalho dos profissionais responsáveis pelo serviço.
Por enquanto, trabalhadores e empresa permanecem diante de uma negociação que pode definir não apenas a situação dos funcionários, mas também a regularidade de um serviço que afeta diretamente a população.