Operação Mandato Espúrio apura movimentações financeiras consideradas irregulares no Imafir-MT; contas foram bloqueadas e mandados de busca cumpridos
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Mandato Espúrio para investigar supostas movimentações financeiras irregulares que ultrapassam R$ 1 milhão no Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT). Entre os alvos está o suplente de deputado estadual Hugo Henrique Garcia, que já presidiu a entidade.
A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.
A investigação apura, em tese, crimes de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica.
Além de Hugo Garcia, o procedimento também envolve o ex-diretor-executivo do instituto, Afrânio Migliari.
Investigação nasceu de disputa pelo comando da entidade
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, o caso está relacionado a uma disputa interna pelo controle do Imafir-MT.
A investigação aponta que movimentações financeiras teriam ocorrido em um período marcado por controvérsias sobre quem tinha legitimidade para representar e administrar a entidade.
O ponto central da apuração é verificar se pessoas que já não possuíam autorização para praticar determinados atos de gestão continuaram realizando movimentações em nome do instituto.
A Polícia Civil investiga se houve descumprimento de acordos homologados pela Justiça e de decisões que limitaram a atuação dos antigos dirigentes.
Mandados foram cumpridos em Cuiabá
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar.
Também foram determinadas medidas para bloquear contas bancárias e suspender os acessos dos investigados às contas do Imafir-MT.
Segundo as informações divulgadas pela investigação, o instituto aparece como vítima no procedimento e colabora com as autoridades.
O objetivo das medidas é preservar documentos, equipamentos e informações que possam ajudar a esclarecer a origem e o destino das movimentações financeiras investigadas.
Mais de R$ 1 milhão está sob investigação
O valor é um dos principais elementos da operação.
As autoridades investigam movimentações que ultrapassam R$ 1 milhão.
Informações divulgadas por veículos locais apontam que parte dos valores teria sido transferida para conta pessoal e empresa ligada a um dos investigados, enquanto outra parcela teria sido destinada a um escritório de advocacia. Essas informações ainda fazem parte do objeto da investigação e não representam conclusão sobre responsabilidade criminal.
Por isso, é importante diferenciar suspeita de comprovação.
A operação representa uma etapa de coleta de provas. Eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas ao final da investigação e, caso haja denúncia, durante o processo judicial.
Investigado é candidato nas eleições de 2026
Hugo Garcia ocupa atualmente a condição de suplente de deputado estadual e também disputa uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026 pelo PSDB.
A condição eleitoral acrescenta dimensão política ao caso, mas não altera o caráter investigativo da operação.
A Polícia Civil ainda precisa concluir a análise dos documentos e demais materiais apreendidos.
Somente a partir dessas informações será possível estabelecer com maior precisão como ocorreram as movimentações, quem participou delas e se houve efetivamente prejuízo ao instituto.
Caso coloca governança de entidades do agro sob atenção
O episódio também chama atenção para um aspecto menos visível das organizações ligadas ao setor produtivo: a necessidade de regras claras de governança, representação e controle financeiro.
Quando existe disputa pelo comando de uma entidade, a definição sobre quem pode movimentar recursos e assinar documentos passa a ter importância central.
É justamente esse tipo de circunstância que aparece no centro da investigação.
Por enquanto, a operação busca responder uma pergunta fundamental: quem tinha autorização para administrar os recursos do Imafir-MT no período em que ocorreram as movimentações investigadas?
A resposta dependerá da análise das provas reunidas pela Polícia Civil.
Importante: os citados são investigados e não condenados. A apuração deve respeitar o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.