A investigação conhecida como Operação Agro-Fantasma trouxe à tona uma série de documentos que detalham a relação comercial entre a empresa Imaculada Agronegócios e o produtor rural Silvano dos Santos, responsável pela denúncia que deu origem ao caso.
De acordo com os registros reunidos no inquérito, as tratativas entre as partes tiveram início em março de 2025, envolvendo operações de compra e venda de grãos que se estenderam ao longo dos meses seguintes. Em depoimento, o próprio produtor afirmou que, no começo da relação, os pagamentos eram realizados normalmente, sem intercorrências.
A documentação inclui comprovantes bancários e planilhas financeiras que apontam transferências realizadas até janeiro de 2026, alcançando um montante aproximado de R$ 30 milhões. Os mesmos registros indicam que havia diálogo constante entre as partes para ajustes de prazos e condições comerciais.
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Entre os materiais apresentados por Silvano estão minutas de contratos que não chegaram a ser assinadas, além de um documento com vencimento posterior à data em que a denúncia foi formalizada, em fevereiro de 2026. Conforme a linha do tempo descrita no processo, esse contrato ainda estava vigente no momento em que o caso foi levado à esfera criminal.
O inquérito também registra um encontro ocorrido em 22 de dezembro de 2025, no município de Comodoro, quando representantes da empresa se reuniram com o produtor. Na mesma data, foi realizada uma transferência no valor de R$ 1 milhão, conforme comprovam os documentos anexados.
Outro ponto abordado nas investigações diz respeito à negociação de uma aeronave, firmada em setembro de 2025. Os pagamentos relacionados ao acordo foram feitos ao longo de mais de quatro meses consecutivos, somando cerca de R$ 2 milhões. À época da denúncia, a parcela seguinte ainda não havia vencido.
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Apesar dos valores envolvidos, não há registro, nos autos, de medidas de cobrança por vias cíveis antes da formalização da denúncia. Não foram identificados protestos em cartório, notificações extrajudiciais ou ações judiciais relacionadas aos débitos mencionados.
Além dos aspectos financeiros, o inquérito reúne relatos de conflitos entre as partes, incluindo comunicações sobre supostas ameaças atribuídas ao produtor rural.
A Operação Agro-Fantasma foi deflagrada a partir da apuração de indícios de negociações sem lastro real, o que levou à adoção de medidas cautelares, como o bloqueio de bens. Posteriormente, no entanto, a Justiça revisou a decisão inicial e determinou a revogação dessas medidas.







