Presidente da Assembleia afirma que moradores de Cuiabá e Várzea Grande pagam a conta dos bloqueios, congestionamentos e indefinições da obra.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, cobrou maior velocidade na execução do BRT e afirmou que os atrasos da obra impõem sofrimento diário aos moradores de Cuiabá e Várzea Grande. Segundo o parlamentar, a população enfrenta congestionamentos, desvios, bloqueios e aumento no tempo de deslocamento enquanto aguarda a entrega do sistema de transporte.
A declaração ocorre depois de novas cobranças públicas sobre contratos, prazos e ritmo das frentes de trabalho. Russi afirmou que o Legislativo tem realizado audiências, convocado representantes do governo e acompanhado a execução do projeto.
Para o deputado, a discussão não deve ficar restrita a embates políticos. O principal indicador precisa ser o impacto na vida de quem utiliza diariamente as avenidas afetadas pelas intervenções.
Obras divididas poderiam avançar mais rápido

Russi voltou a defender a divisão de grandes contratos em lotes menores. A avaliação é que diferentes empresas poderiam executar trechos simultaneamente, acelerando a entrega e reduzindo a dependência de uma única contratada.
A ideia já havia sido apresentada por ele em 2025, quando o avanço físico do BRT ainda era considerado reduzido. O parlamentar argumentava que distribuir as frentes aumentaria a capacidade operacional e permitiria maior participação de empresas regionais.
A divisão, entretanto, também exige coordenação técnica rigorosa. Trechos executados por empresas diferentes precisam seguir os mesmos padrões de pavimento, drenagem, sinalização e integração.
VLT aumenta peso político dos atrasos
O BRT substituiu o antigo projeto do VLT, planejado para a Copa do Mundo de 2014 e nunca colocado em operação. Por isso, qualquer nova demora desperta temor de repetição de uma história marcada por gastos elevados, obras interrompidas e frustração da população.
Em maio, Russi chegou a chamar de “vergonhoso” o histórico da mobilidade na região metropolitana e comemorou a promessa de liberação de parte do corredor entre o Aeroporto Marechal Rondon e a Avenida do CPA.
A Sinfra trabalha com previsão de conclusão das obras até dezembro de 2026, mas a operação depende de mais do que pistas prontas. São necessárias estações, terminais, veículos, sistemas de bilhetagem e integração com as linhas alimentadoras.
O desafio do governo é transformar cronogramas em serviço efetivamente disponível. Para comerciantes e moradores atingidos, a redução dos transtornos só ocorrerá quando as intervenções forem concluídas e o sistema começar a transportar passageiros.
A reportagem-base foi publicada pelo Araguaia Notícia.
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