Flávia Moretti descarta demissão de responsável pelo DAE e mantém posição enquanto episódio envolvendo maços de dinheiro gera repercussão política.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), decidiu não afastar o chefe do Departamento de Água e Esgoto (DAE) após a repercussão de um vídeo em que ele aparece manuseando maços de dinheiro em espécie. A decisão ocorre em um momento de forte pressão política sobre a administração municipal e coloca novamente o DAE no centro das discussões sobre a gestão pública da cidade.
O episódio ganhou repercussão porque o dinheiro aparece em grande quantidade nas imagens divulgadas. A origem dos valores e o contexto da gravação, porém, não podem ser presumidos apenas a partir do vídeo.
A prefeita, ao descartar a demissão, mantém o integrante da administração no cargo enquanto o caso é analisado.
Vídeo provoca nova pressão sobre a administração
A divulgação de imagens envolvendo dinheiro em espécie rapidamente ganhou espaço no debate político de Várzea Grande.
O caso se tornou ainda mais sensível porque envolve uma estrutura pública que enfrenta dificuldades financeiras e operacionais. O DAE tem sido apontado como um dos principais problemas administrativos do município, especialmente diante das dificuldades relacionadas ao abastecimento de água e à necessidade de investimentos.
Reportagens anteriores sobre o episódio mostram que as imagens também foram utilizadas em questionamentos políticos e eleitorais envolvendo a gestão de Flávia Moretti.
Origem do dinheiro ainda é ponto central
O principal questionamento provocado pelas imagens é justamente a origem e a finalidade do dinheiro.
Uma gravação mostrando alguém contando cédulas não é suficiente, isoladamente, para estabelecer a existência de uma irregularidade.
O contexto da filmagem precisa ser esclarecido.
Esse cuidado é especialmente importante porque o vídeo foi associado politicamente a suspeitas relacionadas à campanha eleitoral de 2024. O empresário Carlos Alberto de Araújo, marido da prefeita, já afirmou que a gravação poderia ser antiga, que as imagens teriam baixa qualidade e que não seria possível estabelecer, apenas pelo vídeo, uma relação com a campanha.
Caso chegou à esfera eleitoral
O episódio deixou de ser apenas uma discussão política e passou a ser analisado também sob a perspectiva eleitoral.
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso encaminhou o material ao Ministério Público Eleitoral para investigação, após o vídeo ser apresentado em processo envolvendo suspeitas de abuso de poder econômico e caixa dois.
O envio para investigação, contudo, não significa que as acusações tenham sido comprovadas.
A função da apuração é justamente verificar a autenticidade, o contexto e a eventual relação entre os fatos apresentados e as acusações feitas no processo.
DAE já enfrenta dificuldades próprias
A permanência do chefe do departamento ocorre em um momento delicado para o DAE.
A autarquia enfrenta problemas estruturais e financeiros que já exigiram discussões sobre a necessidade de apoio externo e novos investimentos.
Em julho, a própria prefeita afirmou que o município não teria condições financeiras para realizar sozinho os investimentos necessários no DAE e informou que aguardava uma definição do Governo de Mato Grosso sobre possível apoio.
Isso aumenta a importância política da autarquia.
Não se trata apenas de uma estrutura administrativa. O DAE está diretamente relacionado a um serviço essencial para a população: o abastecimento de água.
Decisão evita, por enquanto, nova troca

Ao descartar a demissão, Flávia Moretti evita uma nova mudança em uma área que já vem sendo pressionada por problemas administrativos.
A decisão também sinaliza que a prefeita pretende aguardar os esclarecimentos antes de adotar uma medida mais drástica. Politicamente, entretanto, o episódio continua sendo explorado por adversários.
A administração terá de responder a duas questões distintas: a situação individual do servidor envolvido e os problemas estruturais do DAE.
Misturar os dois assuntos pode gerar conclusões precipitadas.
Transparência será determinante
O caminho para reduzir a crise passa pelo esclarecimento dos fatos. Se o dinheiro possui origem lícita e relação com atividade privada, essa informação precisa ser demonstrada.
Se houver alguma relação com recursos públicos ou eleitorais, caberá às autoridades responsáveis investigar e eventualmente responsabilizar quem tiver participação.
Até que isso aconteça, o caso permanece no campo da apuração.
O episódio, porém, mostra como uma imagem aparentemente simples pode se transformar em uma crise política quando ocorre dentro de uma administração que já enfrenta forte cobrança pública.