Programa SOS AVC contabilizou 523 atendimentos em 2025 e outros 389 em 2026, segundo dados municipais; rede de urgência também identificou centenas de casos suspeitos e internações relacionadas à doença.
Cuiabá registrou 912 atendimentos relacionados a acidentes vasculares cerebrais (AVCs) pelo Programa SOS AVC do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) em 2025 e 2026, segundo dados divulgados pela Prefeitura. Foram 523 atendimentos no ano passado e 389 em 2026, até o período considerado no levantamento publicado em 1º de novembro. Desde a implantação do programa, em 2019, o serviço contabiliza 3.460 atendimentos. Os números reforçam a importância da identificação rápida dos sintomas e do encaminhamento dos pacientes para avaliação e tratamento especializados.
Os dados foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde e publicados pelo Única News.
O SOS AVC reúne profissionais de diferentes especialidades médicas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipes multiprofissionais. Ao todo, segundo a Prefeitura, mais de 100 profissionais participam da estrutura de atendimento, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que o tempo entre o início dos sintomas e a assistência médica é determinante para reduzir os riscos de sequelas e ampliar as possibilidades de recuperação.
Rede de urgência também registrou casos suspeitos
O atendimento não se limita ao Hospital Municipal. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também integram o fluxo de identificação e encaminhamento de pacientes com suspeita de AVC.
Entre janeiro e outubro de 2026, as UPAs Pascoal Ramos, Morada do Ouro, Verdão e Pedra 90 registraram 94 casos suspeitos de AVC na entrada dos pacientes. No mesmo levantamento, foram contabilizadas 241 internações classificadas fora da janela do protocolo e 94 registros dentro desse período.
Os dados divulgados pela Prefeitura apresentam os seguintes números para as unidades:
- UPA Pascoal Ramos: 40 casos suspeitos na entrada, 99 internações fora da janela e 15 dentro da janela.
- UPA Morada do Ouro: 47 casos suspeitos, 86 internações fora da janela e 28 dentro da janela.
- UPA Verdão: 38 casos suspeitos, 45 internações fora da janela e 49 dentro do protocolo.
- UPA Pedra 90: seis casos suspeitos, 11 internações fora da janela e dois registros dentro da janela.
A classificação apresentada no levantamento não deve ser interpretada como uma contagem de diagnósticos definitivos. Casos suspeitos, internações e atendimentos protocolados são categorias diferentes e precisam ser analisadas de acordo com os critérios adotados pelo serviço de saúde.
Na UPA Leblon, os registros seguem outra classificação. Entre junho e outubro de 2026, foram informadas 96 internações com hipótese de AVC e 16 ocorrências de SOS AVC durante transportes.
Esses números ajudam a dimensionar o trabalho da rede de urgência, mas não devem ser somados indiscriminadamente aos atendimentos do HMC, pois os registros podem representar etapas diferentes do percurso de um mesmo paciente.
Bombeiros passaram a integrar o atendimento pré-hospitalar
Em outubro de 2025, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso passou a integrar a rede de atendimento pré-hospitalar do programa, conforme o histórico divulgado pela Prefeitura.
A participação permite iniciar a assistência ainda durante o deslocamento e agilizar o encaminhamento de pacientes ao Hospital Municipal de Cuiabá.
O atendimento pré-hospitalar é especialmente importante em emergências neurológicas, nas quais o reconhecimento dos sintomas e a comunicação entre as equipes podem contribuir para acelerar a avaliação hospitalar.
A integração entre os serviços também exige procedimentos de comunicação, identificação dos sinais clínicos e organização do transporte, de forma que o paciente chegue à unidade adequada para receber atendimento.
O que é um acidente vascular cerebral
O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando há rompimento de um vaso sanguíneo cerebral. A interrupção do fornecimento de oxigênio e nutrientes pode provocar danos às células cerebrais, tornando a rapidez do diagnóstico e do tratamento um fator importante para o prognóstico.
Existem diferentes tipos de AVC, e a identificação da causa depende de avaliação médica e exames. Por isso, não é possível determinar apenas pelos sintomas qual modalidade está ocorrendo ou qual tratamento será indicado.
Entre os sinais de alerta estão:
- Fraqueza ou dormência, especialmente em um lado do corpo;
- Assimetria facial, como a boca torta;
- Dificuldade repentina para falar ou compreender;
- Perda súbita da visão ou alterações visuais;
- Problemas repentinos de equilíbrio e coordenação;
- Dor de cabeça súbita e intensa, especialmente quando diferente do habitual.
Os sintomas podem surgir de forma repentina. Mesmo que desapareçam depois de alguns minutos, é importante procurar atendimento emergencial, pois isso não elimina a possibilidade de um problema grave.
Quando procurar ajuda
Ao identificar sinais compatíveis com AVC, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
Não se deve esperar para ver se os sintomas desaparecem nem tentar conduzir o paciente sem necessidade quando o socorro especializado pode ser acionado. Também é importante informar à equipe o horário aproximado em que os sintomas começaram, quando isso for conhecido.
Essa informação auxilia os profissionais na avaliação clínica e na definição das opções de tratamento.
O levantamento de Cuiabá demonstra o volume de atendimentos realizados pelo SOS AVC, mas não permite, isoladamente, concluir se houve aumento ou redução da incidência da doença na população. Para isso, seriam necessários dados epidemiológicos comparáveis, incluindo a população abrangida, os critérios de registro e o período analisado.
Fonte: Única News — Cuiabá registrou 912 atendimentos de casos de AVC em dois anos.