As campanhas dos candidatos ao Governo de Mato Grosso já declararam R$ 15,76 milhões em despesas na prestação parcial de contas das eleições de 2026. O dinheiro foi destinado a serviços que incluem produção de vídeos, publicidade, comunicação, pesquisas, gráficas e contratação de escritórios de advocacia. Entre os seis concorrentes ao Palácio Paiaguás, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) concentram cerca de 77% dos gastos registrados até agora.
Os dados mostram que a disputa eleitoral já entrou em uma fase de forte movimentação financeira, principalmente entre os candidatos que aparecem nas primeiras posições da corrida pelo Governo.
Wellington declarou R$ 6,23 milhões em despesas, enquanto Pivetta registrou R$ 5,97 milhões. Juntos, os dois candidatos representam aproximadamente R$ 12,2 milhões do total informado pelas seis campanhas.
Os números, entretanto, não significam que os candidatos tenham necessariamente recebido ou desembolsado todos esses valores de maneira definitiva. São informações declaradas pelas próprias campanhas na prestação parcial e ainda passam pelo processo de análise da Justiça Eleitoral.
Wellington concentra grandes contratos
Entre os maiores pagamentos declarados por Wellington Fagundes está um contrato de R$ 700 mil com o escritório D’Moura & Ianhes Sociedade de Advogados.
A campanha também informou despesas de R$ 650 mil com a T2 Comunicação, Vídeo e Produções; R$ 628 mil com o Facebook; R$ 600 mil com a Pantanal Filmes Áudio e Imagem; e R$ 593 mil com a Flexo Mídia Personalizados.
O volume de despesas colocou o candidato próximo do limite estabelecido para a disputa.
O teto de gastos para cada candidatura ao Governo de Mato Grosso no primeiro turno é de aproximadamente R$ 7,11 milhões. Com os R$ 6,23 milhões já declarados, Wellington chegou a cerca de 88% desse limite.
Isso significa que, caso mantenha o ritmo de despesas, a campanha terá pouco espaço financeiro para ampliar os gastos dentro do limite legal.
Pivetta também se aproxima do teto
Otaviano Pivetta aparece logo atrás no ranking de despesas.
A campanha do candidato declarou R$ 5,97 milhões, equivalente a aproximadamente 84% do teto de gastos.
Um dos maiores pagamentos foi de R$ 700 mil para a Plano B Produtora de Filmes.
Também aparecem R$ 450 mil destinados a Cyrineu Advogados, R$ 409,3 mil para a Gráfica Print, R$ 404 mil para o Facebook e R$ 350 mil para cada uma das empresas Renca Comunicação e Soul Propaganda.
A concentração dos recursos mostra o peso que a comunicação e a estrutura jurídica passaram a ter na campanha eleitoral.
Natasha tem o maior contrato individual
A candidata Natasha Slhessarenko (PSD) aparece na terceira colocação em volume de despesas, com R$ 3,52 milhões declarados.
Apesar de ter gasto menos no total que Wellington e Pivetta, Natasha registrou o maior contrato individual identificado no levantamento.
Foram declarados R$ 950 mil para a QAQ Produções de Filmes e Vídeos.
A campanha também registrou R$ 510 mil com a Aster Pesquisa e Consultoria, R$ 465 mil para a Pirajá Comunicação e Marketing Digital e R$ 300 mil com o Facebook.
O dado chama atenção porque mostra que uma única contratação audiovisual pode representar uma parcela significativa do orçamento de uma campanha estadual.
Os demais candidatos gastaram bem menos
A diferença financeira aumenta quando entram na comparação os demais concorrentes.
Rafaell Milas (Missão) declarou R$ 31,3 mil em despesas.
Maurício Coelho (Mobiliza) informou apenas R$ 657,83.
Já Sargento Laudicério (Agir) foi o único dos seis candidatos ao Governo que não apresentou despesas no levantamento utilizado pela reportagem.
A distância entre os candidatos mais competitivos e os nomes que aparecem com estruturas financeiras muito menores também evidencia o tamanho da diferença de recursos disponíveis para comunicação e organização de campanha.
Dinheiro gasto não significa irregularidade
A existência de despesas elevadas não significa, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade.
Campanhas eleitorais possuem gastos legítimos com produção de conteúdo, publicidade, pesquisas, serviços jurídicos, materiais gráficos, estrutura e divulgação.
O ponto central da prestação de contas é permitir que a Justiça Eleitoral verifique posteriormente se os pagamentos foram realizados dentro das regras, se os serviços foram efetivamente prestados, se os valores foram corretamente declarados e se os limites legais foram respeitados.
A própria reportagem ressalta que os valores ainda serão submetidos à análise da Justiça Eleitoral.
Prestação de contas vira instrumento de fiscalização
A divulgação desses números também permite ao eleitor acompanhar como os recursos estão sendo utilizados durante a disputa.
O volume de dinheiro empregado em publicidade, produção audiovisual, pesquisas e serviços jurídicos mostra que a campanha de 2026 já movimenta uma estrutura profissional de grande porte.
Ao mesmo tempo, os dados permitem acompanhar a distância entre os gastos realizados e o teto permitido para cada candidatura.
Com a eleição se aproximando, a tendência é que novas despesas sejam registradas e que os números sofram alterações conforme as campanhas atualizem suas prestações de contas.
Por isso, o retrato atual é apenas uma fotografia parcial da corrida eleitoral.
O que já está claro, porém, é que a disputa pelo Palácio Paiaguás começou a consumir milhões de reais antes mesmo da votação, com Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta concentrando a maior parte dos recursos declarados até o momento.