Articulação para favorecer reeleição de Paula Calil amplia tensão entre Executivo e vereadores e coloca governabilidade da Prefeitura em jogo.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, enfrenta uma semana decisiva na relação com a Câmara Municipal, onde vereadores discutem mudanças nas regras da Mesa Diretora e a possibilidade de recondução da presidente Paula Calil. A movimentação transformou a eleição interna do Legislativo em um dos principais testes políticos da atual administração.
O conflito envolve a tentativa de alterar o Regimento Interno para facilitar uma nova candidatura de Paula. A presidente da Câmara é aliada do prefeito e busca apoio suficiente para permanecer no comando da Casa durante o próximo biênio.
Presença do prefeito provoca reação
A atuação direta de Abilio nos bastidores incomodou parte dos vereadores, que passaram a acusar o Executivo de interferir em uma decisão interna do Legislativo. A crise aumentou após a Prefeitura acionar a Justiça para questionar regras que exigem maioria qualificada em determinadas votações.
A estratégia pretende permitir que mudanças regimentais sejam aprovadas por maioria simples, e não necessariamente por dois terços dos 27 vereadores. Caso a tese seja aceita, o grupo de Paula poderá enfrentar uma barreira menor para alterar as regras.
O tema ultrapassa a eleição da Mesa. As regras questionadas também alcançam deliberações sobre matérias administrativas, imóveis públicos, concessões e outros assuntos considerados estratégicos.
Governabilidade entra na disputa
A eleição da presidência da Câmara influencia diretamente a governabilidade. A Mesa Diretora controla o ritmo das sessões, a tramitação de projetos, a estrutura administrativa e a relação institucional com o Executivo.
Um comando aliado facilitaria a votação de projetos enviados pela Prefeitura. Uma presidência independente ou de oposição poderia aumentar cobranças, convocações de secretários e dificuldades na aprovação de matérias consideradas prioritárias.
Reportagem do Diário de Cuiabá classificou a disputa como o primeiro grande teste de articulação política de Abilio. O prefeito foi eleito com discurso de ruptura com práticas tradicionais, mas agora precisa negociar voto a voto dentro de uma Câmara fragmentada.
Semana pode redefinir relação entre os Poderes

Paula Calil já afirmou que busca diálogo e rejeitou anteriormente a existência de um rompimento definitivo dentro da Casa. Mesmo assim, as articulações recentes mostram que a unidade está longe de ser garantida.
O resultado das votações deverá definir mais que o futuro da presidência. Também mostrará o tamanho real da base política de Abilio e o grau de independência que os vereadores pretendem manter diante do Palácio Alencastro.
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