O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) exibiu publicamente, pela primeira vez, a tornozeleira eletrônica que passou a usar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita nesta segunda-feira (21), durante encontro com aliados na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Com o dispositivo preso à perna esquerda, Bolsonaro criticou duramente a decisão do STF e se disse alvo de perseguição. “Não roubei cofres públicos, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso é o símbolo da máxima humilhação do nosso país. Uma pessoa inocente. O que estão fazendo com um ex-presidente da República… Nós vamos enfrentar tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus”, declarou.
A reunião, organizada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), reuniu mais de 50 deputados e dois senadores da oposição, além de parlamentares de siglas como Republicanos, PP, PSD, União Brasil e Novo. O objetivo central foi discutir os desdobramentos da operação da Polícia Federal, deflagrada na última sexta-feira (18), que teve Bolsonaro como um dos alvos e resultou em restrições como o uso de tornozeleira eletrônica, veto a redes sociais e proibição de contato com investigados — incluindo o próprio filho, Eduardo Bolsonaro.
Durante o encontro, Sóstenes anunciou a criação de três frentes de atuação da oposição em resposta às medidas judiciais. A primeira, comandada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO), será responsável por alinhar a comunicação e o discurso dos parlamentares. A segunda, liderada por Cabo Gilberto (PL-PB), irá focar na articulação dentro do Congresso Nacional. Já a terceira comissão, com Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) à frente, terá como missão ampliar a presença do bolsonarismo nas ruas e dar voz ao ex-presidente fora das redes sociais.
O gesto de Bolsonaro, ao exibir a tornozeleira e reforçar o discurso de perseguição, marca um novo capítulo na ofensiva política da oposição contra o Supremo Tribunal Federal e fortalece a mobilização da base bolsonarista no Congresso.
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