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Síndico Legal > Notícias > Imobiliária investigada em Porto Alegre deixa prejuízo de R$ 3,2 milhões e 46 condomínios lesados
NotíciasPolicial

Imobiliária investigada em Porto Alegre deixa prejuízo de R$ 3,2 milhões e 46 condomínios lesados

Por sindico Publicados 8 de setembro de 2026
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5 Min. de Leitura
Imobiliária investigada em Porto Alegre deixa prejuízo de R$ 3,2 milhões e 46 condomínios lesados-sindicolegal
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Polícia Civil concluiu inquérito contra a VenezaUno após 115 ocorrências; dois sócios foram indiciados e ninguém havia sido preso até a conclusão da investigação.

Contents
Investigação foi dividida em três fasesComo funcionaria o esquema investigadoO impacto para os condomíniosEmpresa diz que falará na Justiça

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito que investiga uma suposta fraude envolvendo a Imobiliária VenezaUno, que encerrou as atividades no início de junho em Porto Alegre. Segundo a investigação, 46 condomínios foram lesados e o prejuízo total chegou a R$ 3,2 milhões. O inquérito foi remetido à Justiça na última quinta-feira (3).

A empresa tinha sede no bairro Floresta e administrava cerca de 80 edifícios na Capital e no Interior. Após o fechamento, síndicos e representantes de condomínios começaram a registrar ocorrências relacionadas a atrasos no pagamento de fornecedores e retenção de recursos destinados às despesas dos prédios.

A investigação foi instaurada em 8 de junho e terminou com 115 ocorrências registradas.

Dois sócios foram indiciados.

Um deles responde, segundo a investigação, por apropriação indébita e falsificação de documento particular. A outra sócia foi indiciada por apropriação indébita.

Até a conclusão do inquérito, ninguém havia sido preso. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Investigação foi dividida em três fases

A dimensão do caso aumentou à medida que novas vítimas procuraram a polícia.

Na primeira fase, encerrada em 1º de julho, foram contabilizadas 70 ocorrências envolvendo 17 condomínios. O prejuízo identificado naquele momento era de R$ 700 mil.

A segunda etapa terminou no fim de julho, com outras 26 ocorrências, 13 condomínios atingidos e R$ 1,2 milhão em prejuízos.

Na terceira fase, concluída em 3 de setembro, foram contabilizadas nove ocorrências envolvendo 16 condomínios, com prejuízo de R$ 1,3 milhão.

A soma dessas três etapas chega aos R$ 3,2 milhões apontados pela investigação.

O número de condomínios, porém, não corresponde à simples soma das fases como se fossem necessariamente vítimas diferentes em todos os registros. O balanço final da Polícia Civil aponta 46 condomínios lesados.

Como funcionaria o esquema investigado

Segundo os elementos reunidos pela Polícia Civil, valores que deveriam ser utilizados para despesas dos condomínios teriam sido desviados.

A investigação também identificou o uso de comprovantes bancários adulterados.

Esses documentos teriam sido enviados aos clientes para criar a aparência de que pagamentos a fornecedores e concessionárias haviam sido realizados.

Na prática, de acordo com a apuração, os valores não teriam sido destinados aos pagamentos correspondentes.

A falsificação de comprovantes teria dificultado a identificação imediata dos problemas pelos responsáveis pelos condomínios.

Para os síndicos, um documento aparentemente regular poderia indicar que determinada conta estava quitada, enquanto o fornecedor continuava sem receber.

Foi a repetição desses problemas que levou à abertura de novas ocorrências e ampliou o alcance da investigação.

O impacto para os condomínios

Casos envolvendo administradoras ou imobiliárias responsáveis por recursos condominiais mostram uma vulnerabilidade específica desse modelo de gestão: grande quantidade de dinheiro passa pela estrutura administrativa sem que todos os moradores acompanhem individualmente cada movimentação.

Por isso, mecanismos de controle interno são fundamentais.

Conselhos fiscais e síndicos precisam ter acesso a extratos, conciliações bancárias, comprovantes originais e documentos que permitam verificar se os pagamentos realmente foram realizados.

A existência de um comprovante, isoladamente, não deve ser tratada como prova suficiente de que determinada despesa foi quitada.

A conferência bancária é o mecanismo que permite verificar se o dinheiro efetivamente saiu da conta do condomínio e chegou ao destinatário.

Empresa diz que falará na Justiça

Procurados pela reportagem da GZH, os advogados que representam a VenezaUno informaram que somente irão se manifestar em juízo. O espaço foi mantido aberto para eventual posicionamento.

O encerramento do inquérito também não significa condenação dos investigados.

Agora, o caso segue para a esfera judicial, onde serão analisados os elementos reunidos pela Polícia Civil e as responsabilidades individuais atribuídas aos envolvidos.

O Ministério Público poderá avaliar o conteúdo da investigação e decidir pelas medidas cabíveis.

Até uma eventual condenação definitiva, os investigados permanecem protegidos pelo princípio da presunção de inocência.

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