Queima de equipamento interrompe trabalhos do Legislativo e expõe a fragilidade do sistema hídrico em meio à maior crise de abastecimento enfrentada pelo município.
A crise no abastecimento de água em Várzea Grande ganhou um novo capítulo após a Câmara Municipal suspender uma sessão legislativa em razão da queima de uma bomba responsável pelo sistema de captação e distribuição de água. O problema comprometeu ainda mais o fornecimento no município e evidenciou a gravidade da situação enfrentada pela população, que convive há anos com interrupções frequentes no serviço.
A suspensão dos trabalhos ocorreu em um momento de forte pressão sobre a administração municipal, que recentemente decretou situação de emergência diante do risco de colapso no abastecimento. O episódio reforça os desafios enfrentados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), que tenta manter o sistema funcionando enquanto realiza manutenções emergenciais e busca recursos para modernizar a estrutura.
Equipamentos antigos ampliam vulnerabilidade
A quebra de bombas e equipamentos essenciais não é um fato isolado. Nos últimos meses, diversas ocorrências envolvendo falhas mecânicas, incêndios em boosters e paralisações em estações de captação afetaram milhares de moradores. Em diferentes momentos, a administração também registrou furtos de cabos e suspeitas de vandalismo, fatores que contribuíram para agravar a crise hídrica.
Especialistas apontam que o sistema sofre há décadas com baixa capacidade de investimento, crescimento acelerado da demanda e elevado índice de perdas na rede de distribuição. A combinação desses fatores faz com que qualquer falha operacional tenha impacto imediato sobre o abastecimento.
Crise histórica mobiliza instituições
Nos últimos meses, Governo de Mato Grosso, Ministério Público, Tribunal de Contas e Prefeitura firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para promover uma ampla reestruturação do DAE, prevendo investimentos, modernização da autarquia e acompanhamento permanente das ações.
Enquanto as medidas estruturais não produzem efeitos, moradores continuam enfrentando períodos de desabastecimento, obrigando escolas, unidades de saúde, comércios e órgãos públicos a adaptar suas rotinas.