A investigação policial que apura o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), ganhou um novo desdobramento financeiro: a Polícia Civil afirmou que o síndico acusado pelo crime utilizou dinheiro da associação de moradores do condomínio para pagar honorários advocatícios.
Segundo o delegado André Luiz, responsável pelo caso, foi constatado um contrato de honorários advocatícios firmado pelo síndico na data de 17 de janeiro, e no dia seguinte uma transferência via Pix em valor correspondente a esse contrato foi realizada a partir da conta da associação condominial destinada ao filho do gestor. Essa movimentação foi identificada pelo presidente da associação, que imediatamente registrou um boletim de ocorrência relatando a situação.
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) explicou que o caso agora integra uma investigação paralela conduzida pelo Grupo Especial de Investigações Criminais de Caldas Novas (GEIC), que apura possíveis crimes patrimoniais e administrativos relacionados ao uso indevido de recursos do condomínio pelo síndico.
O gestor em questão já havia sido preso sob acusação de homicídio e ocultação de cadáver após confessar ter assassinado Daiane no subsolo do prédio onde ambos moravam. A prática de utilizar recursos coletivos da associação para custear despesas pessoais — especialmente despesas jurídicas — expõe ainda mais a gravidade do quadro de gestão condominial.
Especialistas em direito condominial e direito imobiliário destacam que o uso de fundos condominiais deve obedecer a critérios rigorosos de transparência, prestação de contas e finalidade legada pela convenção e pela assembleia. Qualquer desvio ou utilização não autorizada pode ensejar responsabilizações civis e até penais para o gestor.
No contexto de administração predial, a correta utilização das verbas é um dos pilares da segurança jurídica e da governança condominial — essencial para a confiança dos moradores e a manutenção da ordem administrativa interna.
O caso também serve de alerta para as associações de moradores e conselhos fiscais: é fundamental realizar auditorias periódicas, acompanhar extratos bancários e validar qualquer movimentação financeira relevante, especialmente em situações de crise ou quando o síndico enfrenta processos pessoais ou desafios legais.
A apuração dos possíveis crimes patrimoniais segue em andamento, paralelamente à investigação principal sobre o homicídio, com contribuições do GEIC e das equipes especializadas da Polícia Civil de Goiás.
Anderson Silva
Condomínio Interativo







