Pode usar a piscina do prédio durante a pandemia?

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Pode usar a piscina do prédio durante a pandemia?

As áreas comuns de vários condomínios de Salvador estão vazias. Desde os primeiros relatos da chegada do novo coronavírus na cidade, muitos síndicos optaram por fechar espaços como piscinas, quadras, parquinhos e churrasqueiras. Mas, com o passar do tempo, alguns prédios começaram a flexibilizar. Foi o que aconteceu no Ludco Greenville.

Localizado entre Patamares e Paralela, o condomínio é composto de três torres e possui, ao todo, 354 apartamentos. Em meados de março, quando foram confirmados os primeiros casos de COVID-19 em Salvador, espaços comuns do condomínio ficaram proibidos de serem frequentados. Mas, após um mês, o conjunto de prédios liberou a piscina para até oito pessoas. E, há dez dias, ampliou para até 25 pessoas.

 

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“Nesta segunda-feira, que era feriado e estava sol, a piscina ficou lotada. Ninguém estava usando máscara e não tinha qualquer pessoa para conter aglomerações. E não há limpeza extra – no máximo, um frasco de álcool em gel em cima da mesa”, denunciou um morador, que preferiu não se identificar.

De acordo com outro condômino, que também pediu anonimato, a decisão foi tomada pelo síndico: “Ele resolveu sem consultar ninguém, porque ele quer frequentar a área. Ele impôs isso pois é negacionista da covid-19.

E se uma pessoa contaminada for para a piscina? Estamos preocupados”. Outro motivo do debate é a quadra aberta. “Nunca chegou a ser fechada. Podem frequentar até oito pessoas de uma vez só. Assim como na piscina, pouco importa a limpeza e o uso de máscaras”, reclamou o primeiro morador.

Na região de Patamares, há 47 diagnósticos da covid-19, com 32 curados, segundo o último balanço da Secretaria Municipal da Saúde, feito no dia 22. O levantamento também aponta que Pituaçu, bairro próximo ao Ludco Greenville, tem 14 infectados e 7 recuperados. Segundo os dois moradores, há casos confirmados no condomínio – nenhum dos dois soube precisar quantos. Por isso, a preocupação deles é grande.

Síndico do condomínio, Marcelino Lima rebateu as acusações. De acordo com ele, todas as medidas foram tomadas com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O síndico, que é fisioterapeuta, também contestou que seja negacionista da covid-19. Segundo ele, são três piscinas, numa área de 1.200m; com 25 pessoas, fica 48m² para cada.

“Isso não é aglomeração. Nesse dia que teve mais gente, foram 21 pessoas. A maior aglomeração foram dois casais juntos. Sou da área de saúde, estou respeitando o que a OMS diz”, afirmou. Segundo o síndico, a limpeza do condomínio foi, sim, alterada: “Antes, limpávamos a área da piscina duas vezes ao dia. Agora, está sendo feita a cada 1h30. Também estamos deixando álcool nas mesas”.

Marcelino também confirmou que tomou a decisão de ampliar o uso para até 25 pessoas sozinho. “Eu fui eleito pelos condôminos. Somos realistas: liberar pode causar aglomeração? Pode. Mas confiamos em nossos moradores. Criamos uma rede de apoio para as pessoas com covid-19”, comenta.

Para ele, liberar a quadra e a piscina é questão de saúde:

“Entendo que há pessoas contra essas medidas, que estão com pânico com o coronavírus. Mas acho mais prejudicial ficar em casa, engordando e tomando cerveja, do que praticando esportes”.

 

 

O que fazer?
Não há decretos, municipais ou estaduais, que proíbam o uso de piscinas em condomínios de Salvador durante a pandemia do novo coronavírus. Entre os termos assinados pelo prefeito ACM Neto, apenas um envolve condomínios: academias de ginástica em prédios particulares terão que ficar fechadas.

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Entre as medidas tomadas por Rui Costa estão proibidos eventos e atividades com a presença de público superior a 50 pessoas – o dobro do máximo permitido pelo Ludco Greenville na piscina, de 25 pessoas.

Durante inauguração de novo hospital contra a covid-19, na terça-feira (26), o prefeito ACM Neto disse que não há impedimento da prefeitura para uso das áreas comuns dos condomínio. “Não há decreto que proíba, mas há o bom senso que deve prevalecer. A gente apela aos síndicos que não permitam que isso aconteça, principalmente nessa semana. O momento é de estar em casa e não de ficar em uma piscina cheia de gente.

Existem condomínios em Salvador que são uma cidade. Não há uma proibição legal, mas o bom senso deve prevalecer. Fica o meu pedido a essas pessoas e ao síndico que organizem essas áreas comuns, principalmente nessa semana”, defende o prefeito.

Ainda assim, a área deveria ser fechada? Para a infectologista Ana Paula Alcântara, não necessariamente: “Sabemos que o cloro é inativador do coronavírus e tem eficácia contra ele. Ainda que este não seja o propósito dele nas piscinas, é muito improvável que alguém seja contaminado nesta área”.

E se uma pessoa infectada espirrar ou tossir na borda da piscina? “Haveria a contaminação caso uma pessoa saudável levasse a mão ao rosto, tocando nariz, boca ou olhos. Seria importante tomar esse cuidado. Comida, por exemplo, eu não indicaria nessas áreas comuns”, diz ela.
Uma solução dada pela médica é que cada apartamento use as áreas em horários diferentes: “No meu prédio, a piscina foi liberada por família, durante 1 hora”.

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O que os síndicos devem fazer para evitar o coronavírus

  • Equipes de limpeza precisam ter equipamentos de proteção, como luvas e máscaras.
  • Aglomerações em áreas comunais devem ser proibidas, inclusive nos elevadores. Nada de festas no salão ou na piscina do condomínio.
  • Trabalhadores com quadro gripal devem ser afastados segundo as leis trabalhistas. O síndico deve providenciar teste de covid-19.
  • Higienização de áreas comunais deve  ser providenciada todo os dias, como elevadores, corrimão de escadas, interfones, cabine dos porteiros, torneiras, maçanetas, interruptores de luz e bebedouros.
  • A administração deve providenciar álcool em gel ou líquido a 70% para áreas de trânsito dos moradores, como elevadores, portaria, recepção e dependências dos funcionários.
  • Sabão e papel toalha devem estar disponíveis nos banheiros de uso dos moradores, visitantes e funcionários.
  • No caso de reformas com a presença de trabalhadores externos, exigir que compareçam ao serviço com proteção de máscaras e atenção na higienização das mãos.

 

Fonte:Correio

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