Síndico em Foco: Aline Roberta Belarmino de Araújo

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Aline ROberta

O trabalho do síndico não é nada fácil, pois é necessário dedicar parte do seu tempo para administrar o dia-a-dia dos condomínios comerciais ou residenciais. Mas, de acordo com a dificuldade dos novos condomínios residenciais, e especialmente dos prédios comerciais, o cargo dos síndicos ganhou prestígio e se tornou profissão com o passar dos anos.

                Pensando nisso, o portal Síndico Legal lança nessa sexta-feira o “Síndico Em Foco”, uma série especial de entrevistas, com síndicos moradores, comerciais e profissionais, tratando de assuntos diversos como legislação, gestão e manutenção predial.

                E como primeira entrevistada, convidamos a síndica do Centro Empresarial Paiaguás, em Cuiabá, Aline Roberta Belarmino de Araújo, síndica há quase 2 anos, ela relata sobre a sua experiência em ser síndica de um dos prédios comerciais mais famosos da capital de Mato Grosso.

Centro Empresairal Paiaguás

 

O que te fez querer ser síndica?

Sou empresária, possuo um restaurante e sempre gostei de administrar, lidar com pessoas. Comecei como subsíndica, para conhecer o universo condominial, e quando vi a oportunidade de assumir como síndica eu aproveitei. Participando indiretamente das decisões do condomínio, em conselhos, fui descobrindo essa vontade.

Porém, nunca tinha tido essa ligação com condomínios antes, mas estou me empenhando e tenho gostado bastante.

 

Como você faz a administração do condomínio?

Primeiramente acredito que precisa gostar de se relacionar com pessoas, porque é basicamente isso que um síndico faz, presar em melhorar o relacionamento de pessoas em prol de um bem maior que é a convivência e o bem de um determinado imóvel.

É muito difícil a aceitação de todos, mas aqui no Centro Empresarial Paiaguás todos são bem tranquilos, e tenho que destacar a equipe, pois pra mim tendo uma equipe boa, prestativa e que saiba trabalhar bem, faz toda a diferença. A experiência dos funcionários conta muito, pois eles sabem como funcionam, e sabem resolver problemas sem precisar ter muito trabalho.

 

Quais as dificuldades que você mais enfrenta como síndica?

Apesar da pouca quantidade de condôminos que participam da Assembleia do condomínio, os que vão sempre são pessoas que sabem discutir e trocar informações, buscando o melhor para o prédio. Isso vem desde quando eu era apenas condômina, nunca tivemos problemas maiores em Assembleias.

Os conflitos raramente acontecem, e eu como síndica tento amenizar, conciliar para que não tenha constrangimentos maiores, tento resolver na conversa.

Os problemas maiores são no dia-a-dia, como custos extras, taxas, inadimplência, que as pessoas às vezes não entendem de primeira a melhoria que será feita.

Referente a inadimplência, eu contratei uma empresa terceirizada para fazer a cobrança dos condomínios que se encontram com muitos meses de atrasos. Tive que procurar ajuda jurídica porque não estava havendo acordo, então hoje buscamos até fazer penhoras para que seja feito o pagamento.

 

Como você faz a prestação de contas do condomínio?

Conto com uma equipe que faz toda a contabilidade, sempre fazendo o controle dos orçamentos, dos recibos e arquivando tudo. Assim o Conselho pode fazer a fiscalização das contas e ver se estão de acordo com os relatórios.

Os livros de prestação de contas sempre ficam disponíveis nas Assembleias, desde que seja do mês atual, caso o condômino queira verificar outro mês pode pedir com antecedência para que seja disponibilizado.


 

Na questão de documentos e renovações do condomínio, como você administra?

Os funcionários são todos contratados com carteira assinada, a contabilidade já faz o processo de contratação e documentação normal.

Na questão da documentação do condomínio eu tive um pouco de dificuldade porque por ser um prédio antigo, não tinha todos os documentos, e como síndica eu vi que precisava ser feito, antes que um problema maior acontecesse, então eu fui atrás.

O direito condominial é bem mais complexo do que as pessoas pensam, existem muitas leis de gestão condominial e é preciso se atualizar com frequência para não deixar passar nada.

Atualmente estamos correndo atrás de regularizar e conseguir o Alvará do Bombeiro, já havia uma Licença, mas hoje já vi que é preciso esse Alvará, então já entrei com a solicitação, conversei com os condôminos e após explicar a taxa extra e a importância de obter esse Alvará, a maioria ficou de acordo.

 

O prédio não tem uma administradora, como é feita a gestão com os funcionários?

A maioria dos funcionários está há bastante tempo, já sabem a rotina do condomínio, e não foi preciso contratar uma administradora para esse tipo de gestão. Hoje somos em 7 funcionários, e quando há a necessidade de uma reforma, a gente contrata mais alguns funcionários para não acumular, e ajudar nos serviços.

Mas é muito importante contar com a experiência dos funcionários, pois por ser um prédio antigo, eles sabem dizer sobre situações que aconteceram no passado que pode vir acarretar problemas no futuro.

 

Faça uma avaliação sobre uma gestão de qualidade de um síndico.

Na minha opinião todo síndico precisa gostar de administrar, se relacionar com pessoas e precisa ter paciência, porque não é fácil.

Gestão condominial abrange muitas coisas, é preciso conhecimento sobre todas as áreas, e quando não souber tem que procurar por ajuda, porque sozinha quase sempre não dá.

Precisa de uma equipe comprometida, que esteja engajada a manter o funcionamento correto e fiscalizar para que as regras do Regimento Interno sejam cumpridas.

É fundamental também que os condôminos estejam cientes das melhorias que estão sendo buscadas, e que as ações do síndico sempre serão pensadas para melhorar e valorizar o imóvel.

Minha dica para os síndicos é sempre procurar se especializar, buscar conhecimento, participar de cursos e de palestras, qualificação nunca é demais!

 
Todas às sextas-feiras o portal Síndico Legal trará na série “Síndico Em Foco” uma entrevista, aproveite para trocar experiências e saber mais sobre as gestões condominiais.

Por Toheá Ranzeti – Síndico Legal

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