Profissional em Foco com Mário Galvão

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Norma de Desempenho de Edificações NBR 15.575:2013

 

No ano em que a Norma de Desempenho de Edificações NBR 15.575:2013 irá completar cinco anos deste que entrou em vigor em julho de 2013, o PORTAL SÍNDICO LEGAL traz uma entrevista com o Engenheiro Civil Mário Amorim Galvão Júnior, que é Engenheiro Civil Especialista em ENGENHARIA DIAGNÓSTICA, Diretor Técnico da empresa Ponsi Consultoria e Engenharia e colunista desse PORTAL.

Como o senhor vê o surgimento da norma de desempenho no mercado de construção civil em nosso país?

-A entrada em vigor da NBR 15.575:2013 foi um momento importante para a construção civil brasileira, ao estabelecer um nível de desempenho mínimo para os principais elementos de edificações habitacionais, no transcurso da vida útil do imóvel.

 

Quais os quesitos que devem ser atendidos com relação ao desempenho mínimo exigido pela norma?

A NBR 15.575:2013 prevê o atendimento de um padrão de qualidade construtivo em cinco sistemas, quais sejam:

-Vedação: paredes internas e externas devem garantir a estanqueidade, isolamento acústico e conforto térmico. A norma apresenta os níveis internos de variação de temperatura obrigatórios de acordo com cada região climática brasileira, bem como parâmetros para conforto acústico e térmico.

-Estrutura: a norma estabelece quais critérios de estabilidade e resistência do imóvel, inclusive com métodos para determinar que tipos de impactos a estrutura pode aguentar sem apresentar falhas ou rachaduras.

-Piso: tanto os sistemas de piso internos quanto os externos estão normatizados no texto da NBR 15.575:2013. O sistema de pisos é definido como a combinação de diversos elementos, como por exemplo o contra piso, e não somente a camada de revestimento ou acabamento.

-Coberturas: Com relação a cobertura existem requisitos que tratam da reação ao fogo dos materiais de revestimento e acabamento, da resistência ao fogo do sistema de cobertura, além de outros requisitos como a estanqueidade a água, desempenho estrutural, entre outros.

-Sistema hidros sanitários: Tal parte da norma esta relacionada aos sistemas prediais de água fria e de água quente, de esgoto sanitário e ventilação, bem como sistema predial de águas pluviais.

Conceito como durabilidade dos sistemas previsão e antecipação de critérios para a manutenção da edificação e suas partes, assim como o funcionamento dos sistemas hidros sanitários estão previstos também. Em consonância com as tendências atuais de reutilização de água, o texto da norma trouxe também consideração sobre a separação física dos sistemas de água fria potável e não potável.

 

 

De que maneira são feitas as avaliações de desempenho acústico da NBR 15.575:2013, in loco na edificação?

A metodologia utilizada para avaliar o desempenho de isolamento ao ruído aéreo e de impacto é realizada a partir de mediações acústicas cujo equipamentos e procedimento seguem normas internacionais.

As mediações acústicas da norma de desempenho são feitas tanto pelo método de controle quanto pelo método de engenharia, sendo esse último mais recomentado, por ter maior precisão.

 

Quais as incumbências e responsabilidade inerentes a uma frente a NBR 15.575:2013?

O atendimento ao critério de desempenho mínimo é obrigatório. Entretanto, o empreendedor, em função da tecnologia viável para cada nível (mínimo, intermediário ou superior) e em função das características de mercado do empreendimento, deverá definir o nível de critério a atender.

Os fabricantes dos diversos sistemas construtivos deverão apresentar ao projetista e ao empreendedor de seus produtos/sistemas testados em laboratórios (tal como no IPT), a fim de que tais informações sejam avaliadas frente ao desempenho requeridos na obra.

O especialista em acústica deve basear-se em tais dados, cabendo ao construtor garantir que a execução da obra seja feita de maneira adequada para atingir os requisitos especificados.

O usuário, por sua vez, deve ser informado e estar ciente de que é corresponsável pelo desempenho da edificação, pois durante o transcurso de uso, operação e manutenção do imóvel, não poderá promover alterações da edificação que venham prejudicar o atendimento aos requisitos estabelecidos no projeto acústico.

 

O mercado está preparado para a norma de desempenho?

Ainda que países europeus, por exemplo, estejam já bem mais adiantados e consolidados que nosso país com relação ao desempenho acústico das edificações, a NBR 15.575:2013 é irreversível.

Tal mudança de paradigma acontecerá gradativamente a aos poucos, mas indubitavelmente trará benefícios para todos.

 

 

Mário Galvão  Engenheiro Civil, mestre em Desenho, Gestão e Direção de Projetos pela Fundação Ibero Americana – FUNIBER. MBA em Construções Sustentáveis pela Universidade Cidade de São Paulo – UNICID, Gerenciamento de Projetos pela University of Califórnia, Irvine – EUA, em Gerenciamento de Projeto pela Fundação Getúlio Vargas – FGV; Engenharia Diagnóstica pelo Instituto Brasileiro de Educação Continuada – INBEC. Diretor Técnico da PONSI CONSULTORIA, Ex Diretor da VECTOR FOILTEC, multinacional alemã e auditor da Qualidade em Sistema de Gestão Ambiental – SGA e Sistema de Gestão de Qualidade – SGQ. Membro da GBC Brasil (Green Building Council), do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Distrito Federal – IBAPE/DF e da Comissão de Estudo Perícias de Engenharia na Construção Civil da ABNT NBR 13752 (ABNT/CE-002:134.003). Inspetor termográfico nível I, Inspetor de estruturas de concreto armado e pontes nível I. Assistente Técnico em ações judiciais envolvendo perícias de engenharia nos Fóruns do DF. Registro profissional CREA 18069/D-DF.

 


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