O vereador Gilson José de Souza, conhecido como Gilson da Agricultura, protagonizou um episódio lamentável durante sessão da Câmara Municipal de Pedra Preta, no dia 26 de agosto. Em meio ao debate político, ele se referiu à prefeita da cidade, Iraci Souza, com a expressão “cachorra viciada”, ofensa que imediatamente gerou reações de repúdio.
A fala, considerada machista, desrespeitosa e incompatível com o cargo que ocupa, rapidamente repercutiu fora do município. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), procuradora especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), manifestou indignação pública.
“Quero entender o que significa chamar uma prefeita de ‘cachorra viciada’. Isso é um absurdo. É inconcebível que um representante eleito trate uma mulher, ainda mais uma gestora reeleita e respeitada por sua população, de maneira tão degradante”, afirmou Janaina em vídeo divulgado nas redes sociais.
Providências institucionais
Diante do episódio, a Procuradoria da Mulher da ALMT anunciou que irá acionar o Ministério Público para investigar a motivação do ataque e avaliar se houve prática de violência política de gênero. A deputada destacou ainda que esse tipo de conduta pode resultar até mesmo na inelegibilidade do vereador, conforme a legislação em vigor.
“Não existe civilidade quando se agride uma mulher. Esse tipo de fala machista e criminosa não ficará sem resposta”, reforçou.
Moção de repúdio
Além da manifestação pública, a Procuradoria da Mulher emitiu uma moção de repúdio, assinada por Janaina Riva e pelos deputados Carlos Avallone e Valdir Barranco. O documento afirma que a conduta de Gilson da Agricultura fere o decoro parlamentar, afronta a dignidade da pessoa humana e atenta contra a participação feminina na política, enquadrando-se como violência política de gênero, nos termos da Lei nº 14.192/2021.
O texto cobra retratação pública imediata e destaca que não se trata apenas de um ataque pessoal à prefeita, mas de uma afronta a todas as mulheres que exercem cargos políticos.
Por fim, a Procuradoria reafirmou que vai acompanhar o caso de perto, exigindo providências para garantir que práticas de violência política não sejam normalizadas em Mato Grosso.
“Para ser representante político é preciso ter civilidade, e isso começa pelo respeito às mulheres”, concluiu Janaina.
Chris Cavalcante/Da Redação







