A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar casos de feminicídio em Mato Grosso perdeu força e acabou arquivada após a retirada de seis assinaturas de apoio. Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), a iniciativa não avançou por falta de estratégia política e problemas formais no requerimento apresentado pela suplente de deputada, Edna Sampaio (PT).
Segundo Russi, um dos principais erros foi tentar manter diálogo com o Governo do Estado ao mesmo tempo em que se buscava instalar uma comissão voltada a apurar justamente as falhas do Executivo. “CPI é enfrentamento. Se eu proponho uma comissão de investigação, não vou me reunir com o governo. Faltou habilidade e experiência da deputada”, afirmou.
O presidente da Assembleia também destacou que a Procuradoria da Casa apontou inconsistências jurídicas no pedido, como trechos que extrapolavam a competência estadual. “Nós não temos poder de investigação sobre o governo federal. Isso poderia ser ajustado. Se as assinaturas forem reapresentadas com base sólida, eu não tenho dificuldade em abrir a CPI”, disse.
Russi negou qualquer interferência externa para inviabilizar a proposta e garantiu que sua atuação está limitada às regras regimentais. “Não posso abrir uma CPI sem as assinaturas necessárias. Se houve acordo político, eu não participei”, declarou.
Apesar do insucesso da iniciativa, o parlamentar reforçou que a luta contra o feminicídio seguirá como prioridade da Assembleia. “Essa não é uma pauta contra o governo, é uma pauta em defesa das mulheres. O parlamento vai continuar tratando o tema com a seriedade que merece, seja com CPI, grupo de trabalho ou outro mecanismo”, concluiu.
Karine de Arruda/Da Redação







