O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), se manifestou nesta sexta-feira (18) sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no âmbito da investigação sobre uma possível tentativa de golpe de Estado. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também atingiu militares ligados ao alto escalão do governo anterior.
Questionado sobre o caso, Mendes afirmou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e preferiu adotar uma postura de cautela diante do cenário, mas defendeu a postura de Bolsonaro nos últimos dias, após “tarifaço” anunciado por Donald Trump, presidente dos EUA. “A princípio, eu vi as declarações do presidente (Bolsonaro) nos últimos dias, extremamente sensatas, equilibradas. Não o vi jogando lenha na fogueira. Foram declarações coerentes e lúcidas”, avaliou.
O governador disse que desconhece os detalhes que embasaram a decisão do STF, mas fez um apelo por responsabilidade das instituições e das autoridades envolvidas. “Eu rogo, clamo para que todas as autoridades tenham, neste momento, lucidez e sensatez. O Brasil não pode ser mergulhado numa grande crise institucional por conta de medidas de A, B ou C. É hora de pensar no país e na maioria da nação brasileira, e não colocar vaidades ou ideologias em primeiro lugar”, declarou.
Mauro Mendes, que já manifestou apoio a pautas defendidas por Bolsonaro em outras ocasiões, evitou críticas diretas ao Supremo, mas demonstrou preocupação com o agravamento da polarização política e seus reflexos sobre a governabilidade. Para ele, o momento exige maturidade dos três Poderes.
Ao ser questionado sobre declarações que poderiam ser interpretadas como estímulo à população contra o STF, Mendes negou qualquer tentativa de instigar conflitos institucionais. “Eu vi as declarações dele [Bolsonaro] e não tenho essa visão. Agora, as declarações do filho dele são altamente reprováveis”, disse, sem citar diretamente o nome do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que criticou duramente o STF em publicações nas redes sociais e ainda pediu apoio e agradecimentos à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Trump.
A operação da PF ocorre em um momento de alta tensão entre aliados de Bolsonaro e membros do Judiciário. O ex-presidente é investigado por envolvimento em uma suposta articulação golpista para impedir a posse do presidente Lula em 2023. Ao longo da semana, Bolsonaro afirmou que está sendo perseguido politicamente e que tem agido com “respeito às instituições”. Ele passa a usar tornozeleira eletrônica, deve ficar em casa no período noturno e, além disso, está proibido de manter contato com o filho Eduardo Bolsonaro.
Mendes reforçou a importância de preservar o equilíbrio entre os Poderes e de respeitar o devido processo legal. “O que a sociedade brasileira espera é justiça, feita com responsabilidade, dentro da lei, sem arbitrariedades e sem alimentar radicalismos. Isso vale para todos os lados”, finalizou.







