O prefeito de Brasnorte, Edelo Marcelo Ferrari (União Brasil), teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições municipais de 2024. A decisão, assinada pelo juiz Romeu da Cunha Gomes nesta quarta-feira (2), aponta que eleitores indígenas da etnia Enawenê-Nawê foram aliciados com promessas, transporte gratuito, combustível e até frangos congelados em troca de apoio político.
Além do prefeito, também foram cassados a vice-prefeita Roseli Borges de Araújo Gonçalves e o vereador Gilmar Celso Gonçalves. Os três foram declarados inelegíveis por oito anos, a partir da eleição de 2024. Gilmar e outro envolvido, Rogério Gonçalves, ainda foram condenados a pagar multa de R$ 53.205 cada.
De acordo com a sentença, o esquema envolveu servidores comissionados da Prefeitura de Brasnorte, que usaram recursos públicos para bancar a logística do transporte de eleitores indígenas e distribuir benefícios como combustível e alimentos. Entre os itens entregues, estavam frangos congelados, utilizados como moeda de troca para garantir votos.
O Exército Brasileiro chegou a impedir, na véspera da votação, a saída de dois ônibus com indígenas das aldeias em direção à cidade, o que gerou confusão.
As provas apresentadas no processo incluem vídeos, fotos, mensagens, quebras de sigilo bancário e depoimentos de lideranças indígenas. Segundo o Ministério Público, cerca de 120 indígenas transferiram seus títulos para Brasnorte com a promessa de vantagens oferecidas pelo grupo político do prefeito. Pelo menos 96 deles compareceram às urnas.
Embora Edelo e Roseli não tenham atuado diretamente na execução do esquema, o juiz destacou que a chapa foi beneficiada com a fraude eleitoral. A diferença entre o primeiro e o segundo colocado foi de apenas 155 votos.
Com a cassação, a Justiça determinou a anulação dos votos atribuídos aos candidatos investigados, a retotalização do resultado da eleição e a convocação de um novo pleito para os cargos de prefeito e vice-prefeito em Brasnorte. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso ficará responsável pelo processo.
Chris Cavalcante/Da Redação







