A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) demonstrou preocupação com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível aplicação de tarifas de 50% a produtos brasileiros. A entidade afirma que a medida, se for adiante, pode afetar toda a cadeia produtiva e aumentar o custo de vida no Brasil.
Os Estados Unidos são importantes parceiros comerciais, especialmente no setor agropecuário. O Brasil exporta para o país carnes, café, suco de laranja, etanol de milho e aviões da Embraer — que, por sua vez, usam componentes americanos.
O crescimento das exportações de carne, por exemplo, aumenta a demanda por soja e milho, base da ração animal. Assim, qualquer entrave nas relações comerciais afeta diretamente os produtores brasileiros.
Além disso, o Brasil importa dos EUA combustíveis como óleo diesel, gasolina e nafta, essenciais para a produção agrícola e o transporte de alimentos. Se esses insumos ficarem mais caros, o custo de produção aumenta e o preço dos alimentos também pode subir, pressionando a inflação.
Máquinas agrícolas e peças de alta tecnologia, como chips e processadores, também vêm dos EUA. Se o acesso a esses equipamentos for dificultado, o setor pode perder competitividade.
Com a inflação já em alta, a Aprosoja teme que o cenário leve a um novo aumento da taxa Selic, encarecendo ainda mais o crédito rural, que já é um dos mais caros dos últimos anos. O setor enfrenta margens apertadas e vive uma das piores crises das últimas duas décadas.
O agronegócio representa cerca de 25% do PIB nacional e é uma das principais fontes de emprego no país. Segundo a entidade, prejudicar o setor é afetar diretamente as economias do interior do Brasil.
A Aprosoja também alerta para o risco de retaliações ainda mais duras, já que Trump afirmou que qualquer resposta brasileira resultará em tarifas adicionais.
Para a entidade, esse conflito comercial pode acabar penalizando toda a população com alimentos mais caros, inflação e perda de competitividade. A Aprosoja defende que o governo brasileiro busque uma solução diplomática com urgência.
Karine de Arruda/Da Redação







