Mato Grosso encerrou 2024 com a maior taxa proporcional de registros de tráfico de drogas entre os estados do Centro-Oeste. Foram 118,7 casos por 100 mil habitantes, somando 4.553 ocorrências — um aumento de 9,7% em relação a 2023. Embora Goiás tenha registrado maior volume absoluto (5.656), proporcionalmente, Mato Grosso ficou à frente de Mato Grosso do Sul (4.071) e do Distrito Federal (2.462).
O avanço das ocorrências acompanha uma escalada nas apreensões realizadas pelas forças estaduais de segurança. De acordo com dados das Secretarias de Segurança Pública (SSPs), o estado apreendeu 23,6 toneladas de cocaína ao longo do ano — o maior volume entre os estados da região e um crescimento de 19,6% em comparação ao ano anterior.
A posição estratégica de Mato Grosso, cortado por rotas fluviais ligadas à Amazônia Legal, tem sido um dos principais facilitadores do tráfico internacional. A chamada “Rota do Solimões” é usada por organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) para escoar grandes cargas de entorpecentes, valendo-se da dificuldade de fiscalização e da vasta malha hidrográfica da região.
Outro dado que chama atenção é o salto nas apreensões de maconha realizadas pelas forças estaduais. Em 2024, foram 17,5 toneladas, contra 6,3 toneladas em 2023 — uma alta de 174,6%. Apesar de ainda estar distante de Mato Grosso do Sul, que lidera com 585 toneladas, Mato Grosso ultrapassou o Distrito Federal (3,6 t) e se aproximou de Goiás (22,9 t).
Já os números da Polícia Federal (PF) mostram um cenário distinto: houve queda de 30,8% nas apreensões de cocaína no estado, passando de 14,1 toneladas em 2023 para 9,8 toneladas em 2024. Com isso, Mato Grosso ficou em segundo lugar no ranking da PF na região, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (10 t). Goiás (1,2 t) e o DF (175 kg) registraram volumes bem menores.
Em relação à maconha, a PF aponta um crescimento de 48,3% nas apreensões no território mato-grossense, com 3,4 toneladas recolhidas em 2024 frente às 2,3 toneladas do ano anterior.
Apesar das apreensões significativas, especialistas apontam que a consolidação dos dados ainda enfrenta entraves. A falta de integração entre registros da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal dificulta a mensuração precisa do total de drogas retiradas de circulação, segundo o levantamento. O Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), atua na padronização das informações e na tentativa de unificar os indicadores entre os diferentes órgãos.







