A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informa que as investigações sobre o homicídio do advogado Renato Nery avançaram significativamente e já resultaram na prisão dos mandantes, intermediários e executores do crime.
Durante a investigação, a Polícia Civil representou pela quebra de sigilo bancário, medida autorizada pelo Poder Judiciário, que permitiu rastrear o fluxo financeiro utilizado para o pagamento da execução.
As análises demonstraram que a investigada Julinere, apontada como mandante do crime, realizou no dia 04 de março transferências que totalizam aproximadamente R$ 200.000,00, valores que passaram inicialmente por contas de terceiros, em uma sequência de movimentações financeiras utilizada para ocultar a origem e o destino final do dinheiro.
A investigação identificou que Jackson Barbosa evitou receber diretamente os valores em sua conta, determinando que os recursos fossem movimentados por interpostas pessoas. Parte desse montante foi utilizada, no dia 05 de março, para a aquisição de um veículo Mercedes-Benz, no valor aproximado de R$ 115.000,00, registrado em nome de terceiro.
Ainda no mesmo dia, R$ 40.000,00 foram transferidos à mãe de Jackson Barbosa, enquanto o restante do dinheiro foi posteriormente encaminhado à conta do investigado no dia 06 de março.
Além dessas movimentações, foi identificado que no dia 08 de março a própria investigada Julinere realizou um pagamento direto no valor de R$ 15.000,00 a Jackson Barbosa, sem a utilização de intermediários, totalizando aproximadamente R$ 215.000,00 movimentados em razão do crime.
As movimentações financeiras identificadas coincidem com os depoimentos prestados pelos envolvidos, entre eles o policial militar Heron e o executor Alex, que afirmaram que o valor ajustado para a execução do homicídio seria de aproximadamente R$ 200.000,00.
Além do rastreamento financeiro, no dia 12 de março um dos investigados prestou depoimento confirmando toda a dinâmica do pagamento pelo crime, corroborando os elementos já demonstrados pela análise bancária.
A investigação também identificou que Jackson Barbosa adotou mecanismos para ocultar a origem ilícita dos valores, utilizando interpostas pessoas e movimentações financeiras fracionadas, circunstância que caracteriza, em tese, a prática do crime de lavagem de dinheiro, pelo qual também deverá responder.
Diante do conjunto probatório reunido — especialmente o rastreamento do fluxo financeiro, os depoimentos colhidos e as demais diligências investigativas — a Polícia Civil concluiu que se trata de crime de mando, caracterizado pelo pagamento para a prática de homicídio qualificado.
Outras informações não serão divulgadas neste momento para não comprometer o andamento das diligências
Chris Cavalcante/Da Redação







