Preso por mandar matar o amigo Ivan Michel Bonotto, o empresário Gabriel Tacca alegou estar “emocionalmente abalado” e não prestou depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira (15), data em que teve a prisão temporária cumprida. Ele e o executor do crime, Danilo Guimarães, serão ouvidos nos próximos dias. A médica Sabrina Iara de Mello, amante de Ivan e apontada como a terceira envolvida no caso, foi alvo de busca e já prestou depoimento.
De acordo com o delegado Bruno França, responsável pela investigação, a defesa de Gabriel informou que ele não tinha condições psicológicas de ser ouvido logo após a prisão. O depoimento dele e de Danilo, que também está preso temporariamente, será reagendado. Ambos devem permanecer detidos por até 30 dias, prazo estipulado pela Justiça para a conclusão do inquérito.
A médica Sabrina, esposa de Gabriel e pivô do suposto crime passional, admitiu à polícia que apagou arquivos do celular da vítima enquanto ele ainda estava internado na UTI, em estado grave. Em depoimento, ela negou participação direta no assassinato, mas confessou ter alterado conteúdos do aparelho, configurando fraude processual. Segundo a investigação, os arquivos excluídos poderiam comprovar a ligação íntima entre ela, o marido e a vítima.
“Vamos agora focar na análise dos celulares apreendidos e confrontar com os depoimentos. Há elementos claros de tentativa de encobrir o crime, com versões contraditórias e fraude processual”, afirmou o delegado Bruno França.
O crime
Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, foi esfaqueado no dia 22 de março, dentro da Distribuidora Tacca, em Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá), local de propriedade de Gabriel. O autor das facadas foi identificado como Danilo Guimarães. À época, tanto Gabriel quanto Danilo alegaram que se tratava de uma briga de bar e negaram qualquer relação com a vítima.
A versão caiu por terra com o avanço das investigações. A polícia descobriu que Ivan era amigo íntimo de Gabriel e tinha um relacionamento extraconjugal com Sabrina. Ele costumava se hospedar na casa do casal durante suas visitas a Sorriso.
A principal linha investigativa aponta que, ao descobrir a traição da esposa com o amigo, Gabriel arquitetou o assassinato. Ele teria contratado Danilo para executar Ivan, simulando uma briga para encobrir o crime. O ataque aconteceu dentro de sua própria distribuidora.
Ivan chegou a ser socorrido e permaneceu internado por 22 dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em 13 de abril, na UTI do Hospital 13 de Maio.
A Polícia Civil segue investigando o caso e pretende concluir o inquérito dentro do prazo da prisão temporária dos dois suspeitos.







