Operação cumpre 67 mandados de prisão contra facção que dominou condomínio residencial em Alvorada

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Ofensiva reúne 850 policiais que cumprem um total de 279 ordens judiciais
Ofensiva reúne 850 policiais que cumprem um total de 279 ordens judiciais

Não são apenas as dificuldades decorrentes da pobreza que moradores do bairro Umbu, em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, precisam driblar no dia a dia. Mesmo quando conseguem uma moradia digna, subsidiada pelo governo federal, o braço da violência segue presente, impondo medo, regras que flexibilizem negócios criminosos e, não raras vezes, tomando à força casas e apartamentos.

Para coibir o domínio de uma facção sobre a comunidade do complexo residencial Umbu II, a Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Consórcio. São 850 policiais, coordenados pela Delegacia de Homicídios de Alvorada, em uma ação que apura organização criminosa armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo de veículos, roubo a pedestre, homicídios, corrupção de menores, receptação, invasão de domicílio e lavagem de dinheiro.

 

 

A operação é resultado de um trabalho de fôlego feito ao longo de 18 meses, com 125 linhas telefônicas sendo interceptadas, tendo 1,8 mil telefonemas gravados e 1,2 mil, transcritos para detalhar as articulações criminosas.

Estão sendo cumpridas 279 ordens judiciais — sendo 67 de prisão. Há ainda mandados de busca e apreensão e medidas restritivas em contas bancárias usadas para disfarçar a origem ilícita de recursos. Até as 8h30min, 54 prisões haviam sido efetivadas.

Entre os locais alvo de buscas estão 146 apartamentos, a sede da associação de moradores do complexo, além de estabelecimentos comerciais. Também são cumpridas ordens de prisão e de buscas em presídios.

Foi identificada pela polícia a atuação de 98 suspeitos, sendo que, mais uma vez, o principal investigado é um homem sob tutela do Estado — já condenado pela Justiça e recolhido à Penitenciária Modulada de Charqueadas.

É de sua cela que Aldrin Barcella Romagna, condenado por extorsão mediante sequestro, receptação e tentativa de homicídio e integrante da facção “Bala na Cara”, não só comanda crimes, mas age como uma espécie de síndico ou juiz, criando regras e determinando soluções até para briga de vizinhos e disputas de vagas de estacionamento. Situações como reformas e reparos nos imóveis e ingresso de pessoas desconhecidas no residencial de 900 apartamentos também dependeriam do aval do condenado.

 

 

A investigação da Delegacia de Homicídios de Alvorada mostra que, pelo menos, 50 famílias foram expulsas dos apartamentos pelos criminosos. Mas a polícia suspeita que o número seja maior e tenha sido minimizado pelo medo que as pessoas têm de fazer ocorrência policial.

Para mapear a situação, os investigadores pegaram com a prefeitura de Alvorada a lista dos 900 proprietários beneficiados pelo programa Minha Casa Minha Vida e fizeram um minucioso cruzamento de dados. Foi assim que foram localizadas algumas das ocorrências de expulsão domiciliar

Também com esse levantamento a polícia identificou que integrantes da facção estavam instalados no complexo residencial que engloba 18 condomínios: Araucária I, II e III, Caraguatá I, II e III, Gravatá I, II e III, Maricá I, II e III, Paineira I, II e III, e Timbaúva I, II e III.

As suspeitas começaram a ser apuradas a partir de informações coletadas em inquéritos de homicídios. Apenas no período da apuração, foram nove casos. Segundo o delegado Edimar Machado, chega a 60 o número de assassinatos em dois anos devido à guerra de facções na região.

Não é a toa que Alvorada está, segundo dados da Segurança Pública, no topo do ranking de assassinatos: é a cidade com maior taxa de homicídios do Estado por 100 mil habitantes (46,6 no acumulado do ano).

— Mesmo com a alto índice de homicídios, Alvorada já teve uma redução significativa, pois em 2017 chegou a taxa de 112 mortes para cada 100 mil habitantes. Ações como a de hoje não só combatem criminosos, mas aproximam o Estado da população, gerando uma maior confiança nos órgãos policiais. Com isso, a polícia espera que as pessoas procurem as delegacias para denunciar expulsões e dar informações sobre homicídios — destaca o delegado Edimar Machado de Souza, titular da Homicídios de Alvorada.

 

 

A estatística negativa fez a cidade se tornar foco prioritário de ações do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), por meio da Divisão de Homicídios da Região Metropolitana (DHM). Desde setembro, as delegacias de homicídios da Região Metropolitana passaram a integrar o DHPP.

— Desde que houve essa mudança, o nosso planejamento estratégico focou no município de Alvorada, que historicamente tem as maiores taxas de homicídios do Estado. É claro que os fatores vão além da atuação policial, pois são, muitas vezes, de ordem econômica e social. Mas dentro da nossa área de atuação entendemos como necessidade esse direcionamento. Houve reforço de pessoal na Homicídios de Alvorada e o planejamento de grandes ações com a Brigada Militar visando a impactar nessas taxas — explicou o delegado Cassiano Cabral, diretor da Divisão de Homicídios da região Metropolitana.

Fonte: Gaúcha ZH

 

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