Número de feminicídio deste ano é 75% maior comparado ao ano passado; quarentena pode ser causa dos crimes.

0
139
Número de feminicídio deste ano é 75% maior comparado ao ano passado; quarentena pode ser causa dos crimes.

Em Mato Grosso, os casos de feminicídio, – homicídio em função de violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher -, teve uma alta expressiva em meio à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com dados da Superintendência do Observatório de Violência, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), somente nos primeiros cinco meses deste ano, 28 mulheres morreram por conta disso. Consequentemente, o número de 2020 é 75% maior ao que foi registrado no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 16 mortes em todo o Estado.

A defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher em Cuiabá, Rosana Leite, entende que esse aumento aconteceu, de fato, em razão do isolamento social.

 

 

“Muitas mulheres já estavam vivendo o ciclo da violência doméstica, e outras se descobriram no ciclo durante a pandemia. Esses agressores não praticam a violência doméstica por conta da pandemia, eles são agressores em qualquer circunstância, e a qualquer momento iriam mostrar que são violentos”, aponta.

Rosana ainda lembra que apesar de estarmos em período de quarentena coletiva obrigatória, as leis no país estão em funcionamento e por isso é importante denunciar. “Ela não pode esperar uma segunda violência para agir, pois pode ser tarde demais”, completa.

 

 

Para a procuradora e presidente do Conselho Estadual da Mulher, Glaucia Amaral, o aumento dos crimes se reflete no momento vivido. Não decorrendo do estresse diário, mas sim, do fato de que a modificação de rotinas impôs às mulheres um aumento das funções. Uma vez que, o feminicídio é um crime com raízes culturais.

 

 

“O pensamento machista estabelece papéis definidos para homens e mulheres, o que na prática não existe, então entra em conflito. Para a mulher existe as tarefas domésticas e cuidados com os filhos. Já para o homem, ser o provedor disso tudo”, explica a procuradora.

Contudo, toda situação que estamos vivenciando no atual cenário, fez com que os homens se sentissem fragilizados no que seria o “papel masculino” enquanto provedor. Já que há uma crise econômica agravante no estado.

“Os feminicídios ocorrem nos pontos de conflito entre a visão machista e a realidade como, por exemplo, ciúmes da mulher falar ao telefone, controle quanto o uso de roupas, o salário que a mulher ganha, horários de saída e exigência de comportamento moral”, diz Glaucia.

E assim como a defensora Rosana Leite, a procuradora Glaucia frisa o fato de que existe uma dificuldade em denunciar a violência prévia ao feminicídio.

 

 

Caso de feminicídio

Em abril deste ano, uma funcionária de uma rede de supermercados, identificada como Aline Souza, de 20 anos, foi assassinada com vários golpes de faca em um condomínio no bairro Chácara dos Pinheiros, em Cuiabá. O marido dela, Raony Silva de Jesus, alegando traição, teria desferido os golpes no momento em que ela tentava fugir. Depois disso, ele fugiu, mas acabou se apresentando na Deletran, sendo conduzido até a DHPP, onde foi preso.

De acordo com informações que constam no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o casal brigou, pois Raony teria descoberto por uma rede social uma suposta traição da esposa. A mãe do suspeito narra que as primeiras agressões ocorreram ainda dentro de casa e ela tentou impedir, mas em vão. Aline tentou fugir e conseguiu escapar, sentido à guarita do condomínio, gritando por socorro. O esposo, por sua vez, a seguiu com a faca em punho e desferiu vários golpes nas costas da moça que caiu morta.

Fonte:O bom da Notícia
Leia mais Notícias clicando aqui!

 

LEIA TAMBÉM

INSCREVA-SE NA TV SÍNDICO LEGAL CLICANDO AQUI!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here