Alvo da Operação Agro-Fantasma, que apura um suposto calote de até R$ 70 milhões contra o produtor rural Silvano dos Santos, o diretor comercial do Grupo Imaculada, Pedro Henrique Cardoso, divulgou vídeo nas redes sociais para apresentar sua versão dos fatos. Ele nega que tenha havido fraude e afirma que o caso se trata de um “desacordo comercial” que, segundo ele, foi agravado por cobranças consideradas abusivas e por supostas ameaças contra sua família.
Na manifestação pública, Pedro sustenta que a dívida apontada pelo empresário teria sido inflada ao longo das negociações, com aplicação de “juros sobre juros”, atualizações que não estariam previstas em contrato e inclusão de valores referentes a lucros cessantes que, conforme afirma, jamais foram pactuados. Ele também diz que houve falta de flexibilidade para composição do débito, com recusa a descontos, garantias e até oferta de patrimônio para quitação.
“Em abril de 2025, iniciou-se uma parceria comercial. Houve erro de precificação e o prejuízo foi nosso. Mas, mesmo assim, honramos com os nossos compromissos. Seguimos operando, compras, entregas, pagamentos, são mais de 35 milhões de reais ao longo desse relacionamento. Quem age de má-fé não paga milhões”, declarou.
Segundo Pedro, durante a relação comercial houve divergências, inclusive sobre produtos que teriam sido entregues fora do padrão contratado, o que teria gerado pedidos de desconto não aceitos. Ele afirma ainda que o grupo foi pressionado a assumir multas relacionadas a trocas de notas fiscais que classifica como irregulares, além de apresentar valores de caução considerados desproporcionais.
“Juros abusivos, juros sobre juros e atualizações da dívida que faziam crescer algo que nós nem havíamos contratado. Além disso, começaram a surgir possíveis lucros cessantes de coisas que nunca havíamos contratado, e que faziam o valor da dívida ser cada vez mais alto. Em diversos momentos, sentíamos que havia uma tentativa constante de aumentar artificialmente a nossa dívida”, afirmou.
O diretor também sustenta que foram apresentadas alternativas para quitação, incluindo garantias que, segundo ele, superariam em até 15 ou 20 vezes o valor cobrado. Entre as propostas, estaria a devolução de uma aeronave e a oferta de patrimônio avaliado em mais de R$ 150 milhões, todas recusadas.
“Oferecemos devolver a aeronave para ele e foi recusado. Ofertamos patrimônio que ultrapassava 150 milhões e ele sempre alegou: ‘não quero patrimônio, patrimônio eu tenho, eu quero é dinheiro’”, disse.
O ponto mais grave relatado por Pedro envolve supostas ameaças atribuídas a Silvano dos Santos. De acordo com o empresário, durante uma ligação o produtor teria ameaçado matar sua filha de 4 anos, afirmando que “arrancaria a cabeça da criança” e, em outra ocasião, teria dito: “mastigo o coração dela, para você ver antes de morrer”.
Pedro afirma que registrou a situação e que a Justiça deferiu medida protetiva em seu favor. Ele diz ainda que interrompeu as tratativas após as ameaças e que aguarda a definição judicial sobre o caso.
“Nós sabemos as nossas responsabilidades e o que a Justiça determinar será cumprido. Mas ameaça contra nós e a nossa família, isso não é contrato”, concluiu.
Mídia Jur
VEJA VÍDEO







