O ex-vereador de Cuiabá e servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Luis Cláudio de Castro Sodré, foi afastado do cargo após ser citado como um dos suspeitos em um esquema que teria desviado mais de R$ 21 milhões da Conta Única do Judiciário estadual.
Luis Cláudio, que atuava como técnico judiciário no setor do Funajuris — o Fundo de Apoio ao Judiciário — recebia um salário bruto de R$ 41,5 mil. Agora, será alvo de uma sindicância interna que apura a participação de servidores no esquema fraudulento.
As suspeitas contra o ex-parlamentar vieram à tona após o avanço das investigações da Operação Sepulcro Caiado, deflagrada no final de julho pela Polícia Civil. A operação revelou a atuação de um grupo criminoso formado por advogados, empresários e servidores públicos que manipulava ações judiciais para desviar grandes quantias por meio de depósitos judiciais falsos.
Entre os presos na operação estão os advogados Wagner Vasconcelos de Moraes e Melissa França Praeiro, além do servidor Mauro Ferreira Filho, apontado como peça-chave na execução das fraudes. Ele seria o responsável por produzir planilhas e comprovantes de depósitos falsificados, que eram inseridos em processos simulando a quitação de dívidas inexistentes.
Nomeações forjadas e vítimas sem conhecimento
O golpe funcionava de forma engenhosa: o grupo ajuizava ações fictícias, inseria documentos falsos nos autos e, com o apoio de servidores do TJMT, conseguia transferir valores da Conta Única para contas vinculadas aos processos — o que permitia o saque por meio de alvarás judiciais.
Várias vítimas sequer sabiam da existência dos processos. Em alguns casos, dívidas de menos de R$ 100 mil apareciam como quitadas com valores que ultrapassavam R$ 1,8 milhão. Uma das situações mais graves envolve uma pessoa judicialmente interditada por esquizofrenia que teve seu nome utilizado no esquema.
As fraudes ocorreram entre 2018 e 2022, período em que o TJMT ainda permitia a movimentação de valores entre contas de forma mais flexível. A partir de 2023, mudanças nas regras teriam dificultado a continuidade do golpe.
Citação direta a Luis Cláudio
O nome de Luis Cláudio apareceu formalmente nas investigações após depoimento da servidora Eva da Guia Magalhães, também afastada do TJMT. Segundo ela, foi o ex-vereador quem lhe ensinou a manipular planilhas e vincular valores entre contas judiciais — prática essencial para o funcionamento do esquema.
Além de Eva, outra servidora, Cláudia Regina Dias de Amorim Del Barco Correa, também foi afastada por suposta participação.







