Instalações elétricas e hidráulicas

0
422

Uma edificação, como o condomínio, é um complexo, verdadeiro emaranhado de fios e canos.

Para quem não entende, certo?

O que é impensável para o gestor condominial, mesmo que não seja especialista, é não encarar as instalações elétricas e hidráulicas com muita seriedade, muito profissionalismo.

A correta manutenção de toda essa estrutura, grande parte invisível – tubulações, fios, registros, terminais, válvulas, cabos, redutores de pressão, conectores – tem que, necessariamente, fazer parte do plano de manutenção o condomínio, onde haja a previsão de checagens regulares em toda a instalação.

A troca de lâmpadas, fusíveis ou disjuntores queimados tem que ser providenciada com a máxima urgência.

Vazamentos, consertados na hora. Não dá para pensar em adiar o reparo, fechando o registro correspondente: todo o prédio, ou grande parte dele, pode ficar sem água, causando transtornos, aborrecimentos e muita, muita reclamação.

O centro de mediação, no térreo, onde entra toda a energia do edifício deve ser um local intocado pela maioria dos condôminos e todos que por ali transitam. Deve ficar sempre trancado, com acesso controladíssimo, franqueado apenas a funcionários devidamente credenciados da concessionária e energia, salvo raras exceções.

Importante: não faça desse espaço um depósito, e não permita que o zelador o transforme em almoxarifado, e cuide para que o(s) extintor(es) de incêndio lá localizado(s) esteja(m) sempre em perfeitas condições de uso.

A casa de máquinas de elevadores, no topo do edifício, deve ter o mesmo tratamento, local onde só pode entrar o técnico da empresa de manutenção. O “importante” do parágrafo anterior é 100% aplicável aqui.

O barrilete, na parte superior da edificação, é toda a tubulação que se origina dos reservatórios superiores e que possui a função de alimentar os ramais prediais através das suas colunas de distribuição.

Não utilize esse espaço como depósito, não guarde aí escadas, pedaços de canos ou restos de revestimentos, latas de tinta, tijolos, blocos, ou sacos de cimento.

O sistema de combate a incêndio é abastecido pela reserva de água situada na parte inferior do reservatório, volume esse indisponível para o consumo ordinário em função da altura da tubulação de sucção. O registro de incêndio do barrilete deve sempre ficar aberto.

Não deixe ninguém criar carpas na caixa d’água, como aquele zelador do causo relatado no item 37.

Modificações inadequadas, falta de manutenção e, consequentemente, mau estado de conservação são as primeiras causas de incêndios provocadas por questões ligadas às instalações elétricas.

As vistorias periódicas, recomendadas que ocorram a cada dois anos, pelo menos, devem ser realizadas por engenheiro eletricista, ART recolhida, que poderá constatar eventuais anomalias e orientar, em seu relatório, como corrigi-las.

Nessas vistorias, a utilização de aparelhos de termografia é indicada para empreendimentos de grande porte para se verificar aquecimento no cabeamento e quadros elétricos.

O uso de disjuntores de maior capacidade que o cabo ao qual está conectado pode resolver o problema de desarmes frequentes, mas certamente estará mascarando uma situação crítica de superaquecimento nas instalações.

Não utilize benjamins nas tomadas: mais de um aparelho ligado na mesma tomada pode ultrapassar a potência prevista naquele ponto.

As instalações hidráulicas compõem um sistema do qual fazem parte, resumidamente, a água fria, a água quente, de combate a incêndio, águas pluviais e esgoto.

Num edifício de apartamentos com vários pavimentos, á água fria entra na edificação pela cavalete de entrada da concessionária, onde é mensurado o seu volume, e vai direto para o reservatório inferior, de onde é bombeada para o reservatório superior. A cor da tubulação é verde.

Do reservatório superior, depois de passar pelo barrilete, a água desce pela prumadas e é distribuída nos vários ramais que abastecem os pontos de consumo.

O sistema de água quente tem sua origem em caldeiras ou aquecedores, equipamentos de aquecimento de água, que pode ser central ou individual, a depender do projeto. Normalmente a tubulação de água quente é e cobre e com isolamento térmico. A cor da tubulação, quando aparente, é laranja.

A água para combate a incêndio é distribuída na tubulação, quando exposta, de cor vermelha. A prumada de incêndio alimenta hidrantes e sprinklers, aqueles chuveiros automáticos instalados no teto. Nos andares superiores pode ser necessária a instalação de bomba de incêndio, para garantir pressão adequada de saída do hidrante.

No sistema de águas pluviais, toda a água de chuva coletada de telhados, jardineiras, calhas, ralos, gralhas, lajes de cobertura é despejada em caixas de passagem para depois ser bombeada para a rede pública. A cor da tubulação, quando exposta, é marrom.

Especialistas recomendam que o sistema de águas pluviais deve se destinar unicamente à captação de águas originárias da chuva, nunca de águas servidas, ou cinzas.

Há, ainda, a possibilidade de reaproveitamento das águas cinzas, que são aquelas derivadas da lavagem de automóveis, chuveiros, lavatórios, tanques e maquinas de lavar roupas, podendo ser usadas, depois de passar por rígida filtragem, para descargas de vasos sanitários e paisagismo (regra de jardins).

Por último, o sistema de esgoto sanitário é aquele que coleta toda a água utilizada com fins higiênicos. A cor da tubulação é preta.

Vazamentos, torneiras pingando, válvulas de descargas desreguladas propiciam consumo excessivo de água, causando indesejado desperdício.

Fonte: Práticas de Gestão Condominial – Orandyr Teixeira Luz (O condomínio & Você).

Gostou do conteúdo? Compartilhe!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here