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Síndico Legal > Mundo > Guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial
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Guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial

Por Redacão Sindicolegal Publicados 2 de março de 2026
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7 Min. de Leitura
Foto: Reuters
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Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio.

A interrupção da navegação acendeu um alerta nos mercados internacionais, pois pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo.

Localizada entre Omã e o Irã, a passagem é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas.

O agravamento do conflito no Oriente Médio levou países da região a interromper, por precaução, a produção de petróleo e gás, provocando forte alta nos preços da energia.

Na abertura dos mercados internacionais, na noite de domingo (1), o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025 — diante do temor de bloqueios no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do comércio mundial de energia.

Conheça o Estreito de Ormuz e entenda por que ele é crucial para o abastecimento global de petróleo.

Rota comercial antiga

A história do Estreito de Ormuz é marcada por sua importância como corredor comercial e, mais recentemente, como ponto estratégico para a energia mundial.

Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Nos séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas.

No século XX, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou a relevância do estreito. Após a Segunda Guerra Mundial, ele se consolidou como via essencial para o transporte de petróleo do Oriente Médio para outros continentes.

Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), navios petroleiros foram atacados, e os EUA passaram a escoltar embarcações na região.

Desde então, o estreito é um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por longos períodos.

Atualmente, uma fatia expressiva do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz, além de grande parte do gás exportado pelo Catar, o que faz com que qualquer conflito na região impacte os preços da energia e os mercados globais.

‘Artéria’ do trânsito mundial de petróleo
Entre o início de 2022 e maio deste ano, passaram diariamente pela região entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo bruto, condensado ou derivados, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa.

Países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, escoam a maior parte de sua produção por essa rota, sobretudo para a Ásia.

Para reduzir a dependência do estreito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita investem em rotas alternativas por terra.

O Catar, um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito do mundo, envia quase toda a sua produção pelo Estreito de Ormuz.

De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA, os oleodutos existentes nesses países tinham capacidade ociosa de cerca de 2,6 milhões de barris por dia, que poderia ser utilizada para contornar o estreito (dados de junho do ano passado).

Os EUA são o principal responsável por garantir a segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz, mas atuam em conjunto com aliados.

Desde os anos 1980, após ataques a petroleiros na guerra entre Irã e Iraque, os EUA mantêm forte presença militar no Golfo Pérsico por meio da Marinha.

Guerra atinge produção de gás e petróleo em vários países
O mercado financeiro iniciou a semana em clima de tensão diante do agravamento da guerra no Oriente Médio. O impacto mais imediato foi sobre os preços da energia.

O petróleo disparou cerca de 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, o maior patamar desde janeiro de 2025. Por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, a US$ 78,92, e o WTI avançava 7,74%, a US$ 72,19.

Após bombardeios e ataques com drones envolvendo Israel, EUA e Irã, diversos países da região interromperam preventivamente operações no setor de energia.

  • O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito depois que uma instalação foi atingida por drones;
  • A Arábia Saudita fechou temporariamente, por motivos de segurança, sua maior refinaria, em Ras Tanura;
  • No Curdistão iraquiano, quase toda a produção de petróleo foi paralisada;
  • Em Israel, o governo determinou a interrupção das atividades em grandes campos de gás no mar, como Leviatã e Tamar;
  • No Irã, explosões foram registradas nas proximidades da ilha de Kharg, responsável pela maior parte das exportações de petróleo do país.

Em momentos de crise, Teerã costuma ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz, mas historicamente evita manter a medida por longos períodos devido ao risco de retaliação internacional.

Desta vez, porém, analistas consideram o cenário mais sensível devido à intensidade dos confrontos e ao envolvimento direto de grandes potências.

Para os mercados, a principal incógnita é o tempo de duração da interrupção da navegação. Se o tráfego for normalizado rapidamente, os preços tendem a recuar, embora devam permanecer elevados.

Caso contrário, cresce o risco de que o barril atinja novas máximas e de que o gás natural volte a níveis registrados em conflitos anteriores.

Redação g1 — São Paulo

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