O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT), Claudecir Conttreira, voltou a chamar atenção para o avanço de fraudes envolvendo falsos corretores no estado. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia da TV Vila Real na semana passada, ele detalhou como estelionatários vêm se passando por profissionais habilitados para enganar famílias interessadas na aquisição de imóveis. Entre os locais citados, está o condomínio de alto padrão Brasil Beach, onde foram registrados diversos casos.
Segundo Conttreira, os criminosos conseguem acessar condomínios com facilidade porque as administrações não fazem a checagem básica das credenciais profissionais. O Creci-MT tem reforçado ações preventivas junto a síndicos, administradoras e equipes de segurança.
“O conselho dos corretores tem feito na nossa gestão agora um trabalho de alerta junto aos condomínios, junto aos síndicos, administradores, zeladores e vigilantes, porque é lá que ocorre o exercício ilegal no seu maior número”, afirmou. Ele acrescentou que, no caso do Brasil Beach, “vários golpes foram aplicados ali dentro”.
Para tentar barrar a atuação dos golpistas, o Creci-MT enviou ofícios orientando sobre riscos e responsabilidades. Conttreira explicou que a administração pode ser responsabilizada se permitir o acesso de falsos corretores. “Nós mandamos um ofício dizendo da responsabilidade, da possibilidade de responsabilização do próprio condomínio, se aquele golpe ocorrer dentro do condomínio”, relatou.
As vítimas não seguem um padrão específico. De acordo com Conttreira, pessoas de diferentes classes sociais têm sido enganadas, algumas entregando economias guardadas durante anos. “A condição financeira não define se ela vai cair em um golpe”, disse. Ele citou casos de compradores que entregaram valores como 10, 15 ou 20 mil reais na falsa expectativa de adquirir um imóvel.
O presidente do Creci-MT reforçou que a verificação profissional evitaria grande parte das ocorrências. “Se a administração tivesse consultado o registro no Creci, já identificaria na hora que não se tratava de corretor”, destacou.
Para endurecer o combate aos falsos profissionais, o conselho elaborou o projeto de lei 1.898/2025, apresentado no Senado por Wellington Fagundes (PL). A proposta transforma o exercício ilegal da profissão em crime, prevendo punições não apenas ao estelionatário, mas também a quem facilitar sua atuação. “Nós escrevemos esse projeto, o senador apresentou, e ele prevê sérias sanções”, afirmou Contreira.
Até o momento, não há divulgação oficial sobre o número de vítimas ou os prejuízos financeiros registrados em Mato Grosso.
Chris Cavalcante/Da Redação







