Covid-19: “Cumpram as regras de segurança”, apela ovarense radicado em Pequim

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Cumpram as regras de segurança”, apela ovarense radicado em Pequim

Rosendo Guimarães Costa, advogado ovarense a viver em Pequim, na China, onde o surto começou em Dezembro, contou que continua encerrado em casa.

“Aqui, a possibilidade de circular livremente sem pensar em mim e nos outros é mínima. Além de me medirem a temperatura à entrada do condomínio caso eu queira sair, tenho um cartão de residente que penduro sempre ao pescoço se circular neste pequeno condomínio com uns 30 mil habitantes”, descreveu.

“Os ginásios estão encerrados, os bares também, os restaurantes já estiveram também e agora só permitem três pessoas por mesa, depois de medir a temperatura, facultar dados pessoais e assinar com a temperatura medida devidamente escrita”, relatou.

 

 

“O pior já passou”, diz, recordando; “O início do pesadelo foi como o que estão a viver em Portugal: Num dia estava a regressar de férias de Natal e não havia notícias sobre o vírus, uma semana depois fiz uma viagem no sudeste asiático, regressei dia 15 de Janeiro e tudo parecia completamente normal e nem no aeroporto se fazia adivinhar o apocalipse”. Quatro dias depois, tudo mudou: “Autocarros mais vazios, corrida às máscaras, rumores sobre um vírus, mas não liguei muito. Pensei que fosse passageiro e vi a cidade deserta como consequência do Ano Novo Chinês – irónico… o ano do rato que começou com uma pestilência…”.

Segundo Rosendo, “a grandiosa Pequim de avenidas e obras faraónicas tornou-se uma cidade fantasma que parecia ter sido abandonada à pressa”. “No dia 23 de Janeiro, às 10h00, percebi a gravidade da situação: fecharam uma província no Sul da China que tem tantos habitantes como a nossa vizinha Espanha, fecharam restaurantes, parques, cinemas, ginásios, bares, estabelecimentos pequenos de serviços; começaram os cancelamentos de rotas aéreas de e para a China, caindo um por um… Lufthansa, Air France, Turkish, British Airways, Air Canada, KLM, etc., etc.; o Vietname fechou as fronteiras, Hong Kong e Taiwan seguiram o caminho. Senti-me preso na China”.

Há cinco anos a residir em Pequim, o ovarense confessa que se assustou, mas não perdeu “a esperança nem a confiança”.

 

 

“Apesar de reconhecer a radicalidade das medidas adoptadas pela China, esse trabalho não depende só dos profissionais de saúde nem das barricadas do Governo – depende da consciência pessoal de cada um de perceber a gravidade do que era uma epidemia e agora é uma pandemia, não andar na rua no meio de multidões, não ver isto como férias e motivo para justificar má vida ou até para açambarcar bens desconsiderando o bem comum e os outros”.

Assim como milhões de chineses, seguiu as recomendações de ficar em casa, desinfectar as mãos, colaborar com as autoridades locais na recolha de registro de viagem e de medições de temperatura, “mas não comprei toneladas de comida para alimentar um jardim zoológico”.

 

 

“Custa menos do que parece”

Está há dois meses praticamente fechado em casa, onde montou o seu escritório e onde trabalha. “Não minto. Saio esporadicamente, porque é simplesmente incomportável passar o dia todo sozinho fechado em casa, dividindo-a com um animal de estimação, sem ver espaços, nem pessoas, mas… há uma diferença: a China tem uma capacidade de mobilização de massas que mais nenhum país tem”.

Hoje, continua, “Pequim tem 80 infectados, uma cidade com 21 milhões de habitantes, já teve 500 e morreram alguns, mas sinto-me seguro. Aliás, tenho mais medo de ir a Portugal”. A situação inverteu-se: “Ao invés de viver preocupado com a situação cá, vivo preocupado com a situação aí, porque tenho os meus amigos, colegas e familiares e temo que Portugal seja a nova Itália do COVID-19”.

 

 

Portanto, é importante que “ouçam os conselhos dos profissionais de saúde, os avisos oficiais, a quarentena, e não esvaziem prateleiras de supermercado pensando que estão a ser mais inteligente do que os outros”.

“Compra umas garrafas e bebe uns copos em casa em vez de ires para discotecas e bares, faz uma subscrição da Netflix, faz uns cursos grátis para te tornares mais competitivo no mercado de trabalho, se não gostas de ler uns livros aproveita para começar agora, podes mandar vir da Wook e não precisas de te enfiar na FNAC, trabalha a partir de casa se te for possível, dedica-te à jardinagem se tiveres um jardim.

Não é como estar preso, porque os presos não têm acesso a Internet, não escolhem o menu do jantar nem podem contemplar livremente o sol por uma janela que não seja aos quadradinhos.

Acredita, custa menos do que parece! Eu estou a conseguir há dois meses, vivo inteiramente sozinho no meu T1, no condomínio onde sou o único ocidental e estou a conseguir. Tu estás no teu país, vives na tua língua e cultura e também consegues”, aconselha.

 

Fonte: Diário de Leiria

 

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