Contra falta de água, prédios em Balneário Camboriú limitam visitas

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Um dos destinos turísticos mais procurados do verão catarinense, Balneário Camboriú está em estado de atenção desde meados de dezembro, sob risco de falta de água.

A falta de chuvas e a elevada ocupação durante a temporada forçaram a prefeitura a lacrar os chuveiros do calçadão à beira-mar, e fizeram com que alguns condomínios de alto padrão, além de aposentar a mangueira para limpeza de áreas comuns, limitassem a ocupação dos apartamentos, sob pena de multa.

“O risco é grande. Com o prédio lotado, a caixa-d’água não dura dois dias”, diz o síndico Antônio Carlos Vieira, 49, que administra um prédio de 20 andares na beira-mar.

Com apartamentos avaliados em até R$ 2 milhões, o condomínio recomenda a limitação de até sete pessoas por unidade, em especial na virada de fim de ano -ou cinco pessoas, nos apartamentos de dois quartos.

A prática também é adotada por outros prédios da orla. Em tempos de estiagem, a regra é fiscalizada de perto, e ajuda a prevenir a falta de água. No condomínio de Vieira, até agora, não faltou.

“É muito delicado, porque é uma coisa privada”, diz. “A gente não pode intervir na propriedade particular. É uma recomendação; a gente sugere, conversa.”

Mas, segundo o Secovi (Sindicato da Habitação de Santa Catarina), se o limite estiver estabelecido em convenção e no regimento interno do condomínio, a medida é legal -e quem desobedecer pode, sim, ser multado.

 

 

“Tem gente que acha que pode fazer o que bem entender porque o apartamento é seu. Mas a propriedade, num condomínio, é compartilhada”, diz o presidente do Secovi, Sérgio Luiz dos Santos.

A regra, segundo ele, é estabelecida em defesa do patrimônio dos edifícios, e leva em conta inclusive parâmetros de segurança e recomendações do Corpo de Bombeiros.

Para evitar desabastecimento, alguns condomínios passaram a adotar controle digital ou senhas individuais para acesso ao prédio, o que ajuda a garantir o limite de ocupação.

Outras medidas para combater a estiagem também vêm sendo tomadas: nas construções mais recentes, que têm até 80 andares, os reservatórios estão cinco vezes maiores que o normal. Enquanto uma caixa-d’água de um prédio convencional tem 30 mil litros, em Balneário Camboriú elas chegam a 150 mil litros.

A limpeza de áreas comuns tem sido feita sem água, na base da vassoura -ou, para quem pode, com uma máquina de limpeza a seco, que custa R$ 20 mil ou é alugada a R$ 300 a hora.

Desde dezembro, quando o estado de atenção foi decretado, quem for flagrado usando mangueira para limpar vidros ou fachadas pode levar multas de R$ 27 mil.

Nesta terça (15), o nível do rio que abastece a cidade estava em 1,20 m. O normal é 1,35 m -e, se atingir 0,80 m, a Emasa (empresa municipal de saneamento) não consegue mais bombear a água para os reservatórios, e o abastecimento para.

Até agora, não houve interrupções do fornecimento de água nesta temporada.

Mas a situação ainda é de alerta, e, caso não chova com regularidade nos próximos dias, não se descarta a possibilidade de racionamento, segundo Douglas Costa Beber, diretor-geral da Emasa.

“Nós precisamos que as pessoas se conscientizem e não façam uso desregrado da água, lavando calçadas com mangueira ou tomando banhos demorados”, afirmou.

O município inaugurou uma nova estação de tratamento de água em novembro, com um grande reservatório, e também fez investimentos na rede de distribuição para evitar desabastecimento.

A população flutuante da cidade, porém, chega a 450 mil pessoas no verão, em média -o normal é 130 mil.

 

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Fonte:Bem Paraná

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