Construtora mineira atrasa entrega de condomínio no Rio de Janeiro

1
91
Moradores do condomínio Águas de Guanabara, em São Gonçalo (RJ), reclamam na demora para receber as chaves

O sonho da casa própria virou pesadelo para 500 famílias do Rio de Janeiro. Após uma série de atrasos na entrega das chaves, desde 2019, a construtora mineira Via Sul Engenharia está causando revolta e frustação para os futuros moradores do condomínio Águas de Guanabara, no município fluminense de São Gonçalo.

A história começou em 2017, quando os apartamentos começaram a ser vendidos na planta. Segundo uma das compradoras, Geisyane Lima, de 37 anos, o empreendimento foi dividido em duas fases. Na primeira delas, cerca de 250 pessoas compraram apartamentos ainda ‘no chão’, há quatro anos.

A fase 1 tinha previsão de entrega em dezembro de 2019, entretanto a obra ainda não tinha sido finalizada, mas no contrato constava um prazo de mais 180 dias após a data estimada. Tempo esse, que terminou em julho de 2020.

 

 

As promessas de entrega continuaram. Desta vez com a marcação de uma vistoria com alguns moradores para entrega das chaves. Algumas famílias acreditaram que se mudariam em agosto de 2020 e passaram a comprar móveis, já que estavam com as documentações aprovadas e construção finalizada.

Entre e-mails de marcações para entregas e desmarcações, alguns compradores começaram a entrar na justiça contra a construtora. Segundo Geisyane, as famílias estão sendo cobradas da taxa de obras, mesmo após a construção civil ter sido finalizada: “Permanecem cobrando a taxa de obra. Eles alegam que é porque não entregaram e podem cobrar até lá.

A gente acha um absurdo, porque já está tudo 100% concluído”, disse. A última tentativa de entrega dos apartamentos da fase 1 foi agendada para 30 de abril: “Mandaram um e-mail com uma carta, pedindo desculpas e falando que entregariam as chaves. Eles entraram em contato por bloco, para evitar aglomerações, disseram que iam entregar em dois dias, 30 de abril e 1º de maio”, relata Geisyane.

 

 

“Na mesma semana, em 26 de abril entraram em contato cobrando um boleto com uma ‘taxa de despachante’, que ninguém sabia o que era. Não tinha valor exato para todos, cada um tinha que pagar uma quantia diferente. Nosso advogado falou que não poderiam cobrar isso, pois a maioria dos contratos estava com esse valor zerado, mas a maioria das pessoas pagou, desesperadas para receber as chaves”, diz a futura moradora.

A construtora parcelou os valores, entretanto a condição para as famílias se mudarem era o pagamento do boleto, segundo Geisyane: “Até dividiram de 12 vezes, deram várias opções de parcelamento, mas impondo a condição que se pagasse o boleto, ia receber a chave”.

Apesar de surpresos, os moradores que já estavam aguardando a tão sonhada casa própria, imaginaram que faltava pouco para organizarem móveis e encerrarem contratos de aluguel, por isso um esforço a mais valeria a pena.

“Tem gente com ordem de despejo da casa que está morando, porque deixou de pagar aluguel para não ficar inadimplente com a Via Sul e continuaram pagando as taxas de obra. Teve gente desmontando guarda-roupas para se mudar e até deixaram os móveis prontos”, conta Geisyane.

 

 

“Quando foi 29 de abril, eles mandaram um segundo comunicado falando que não poderiam entregar as chaves, por conta da concessória de energia, a Enel. O pior de tudo é que quando cancelaram, esqueceram para quem fizeram ligações e não avisaram todo mundo”, continua.

“E na sexta de manhã, dia 30, algumas famílias que não foram avisadas chegaram no condomínio para receber as chaves, mas o porteiro disse não teria mais a entrega. A Via Sul esqueceu de avisar todas as famílias que a entrega foi cancelada! As pessoas perderam dia de trabalho e ainda gastaram mais dinheiro pra ir até o local. Isso é um absurdo” finaliza.

Os moradores tentaram entrar em contato com a construtora para saber o motivo do descaso, porém só obtiveram respostas prontas, de um comunicado. “Eles não respondiam ou mandavam um comunicado pronto. Sempre colocando a culpa em cima da companhia de energia e dizendo que estão fazendo de tudo para resolver. Mas a Enel vai no condomínio e diz que está fora do padrão e é preciso corrigir”, diz.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here