O aumento do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Cuiabá tem provocado forte reação de representantes do setor produtivo, que classificam a medida como unilateral, descolada da realidade econômica e prejudicial ao ambiente de negócios da capital. O prefeito Abílio Brunini sancionou a Lei Complementar nº 594/2025, que eleva a alíquota do imposto de 3% para 5% – um reajuste de 67% – atingindo setores estratégicos da economia local.
A nova alíquota passa a valer a partir de 29 de março de 2026 e impacta diretamente corretores de imóveis, empresas de intermediação imobiliária, negócios instalados no Distrito Industrial, serviços de shows musicais, cartórios e registros públicos, casas lotéricas e escritórios de contabilidade optantes pelo Simples Nacional, que terão mudança no cálculo do ISS fixo. Para lideranças empresariais, a decisão contraria o discurso de incentivo ao empreendedorismo e transfere o ônus do ajuste fiscal para quem produz, investe e gera empregos.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT), Claudecir Conttreira, e o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial, Domingos Kennedy, expressaram indignação com a postura do Executivo municipal.
“ISS aumenta agora de 3% para 5%, estamos lascados. E o IPTU a 40% e a cidade em desordem”, afirmou Conttreira, ao destacar que as pautas dos corretores e dos empresários do Distrito Industrial são semelhantes e vêm sendo ignoradas pela administração municipal.
Kennedy reforçou o tom crítico e afirmou que a medida pegou o setor produtivo de surpresa. “Esse prefeito nos pegou assim de surpresa. Não discutiu a pauta com a sociedade, eu achei muito estranho e desrespeitoso”, declarou. Segundo ele, muitos empresários se sentiram traídos após realizarem investimentos com base em incentivos anteriores. “Muitos vieram para o distrito pelo benefício, construíram, investiram, e agora, de surpresa, vão ter que pagar mais.”
Além do aumento do ISS, os empresários também reclamam do impacto do IPTU e da precariedade da infraestrutura urbana, especialmente no Distrito Industrial. Em tom irônico, Conttreira questionou se a Prefeitura tem cumprido sua parte: “Ele está limpando aqui suas calçadas?”. Kennedy respondeu de forma direta: “Não, infelizmente ainda não.”
Para as lideranças, o aumento de tributos tende a gerar um efeito em cadeia, elevando custos e pressionando preços ao consumidor final. “O impacto do IPTU é muito grande aqui. São grandes empresas no distrito, e isso acaba aumentando o preço para o consumidor, para o trabalhador, para toda a população de Cuiabá”, alertou Kennedy.
Apesar das críticas, ambos afirmaram que o diálogo ainda é possível, desde que haja disposição política. “O Creci e os empresários do Distrito Industrial estão dispostos a ouvir o prefeito também”, disse Conttreira. Kennedy foi além: “O prefeito tem que conversar. Se ele tiver humildade de vir. Eu já tentei conversar com ele, e ele nunca me atendeu, nem por telefone.”
Para os representantes do setor produtivo, decisões dessa magnitude não podem ser tomadas “de goela abaixo”. Eles defendem que qualquer mudança tributária seja amplamente debatida com a sociedade, sob risco de comprometer a competitividade de Cuiabá, desestimular investimentos e penalizar justamente quem sustenta a economia local.
Chris Cavalcante/Da Redação
VEJA VÍDEO







