Condomínio de luxo clandestino cresce no DF livre de fiscalização

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Portão Principal do Condomínio JK Ville conta atpe com placas de responsáveis pelas Obras - Gustavo Alcântara / Especial Metropoles

Quase um ano após uma série de operações de derrubada feitas pela Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) no Assentamento 26 de Setembro, a construção de um condomínio irregular com quase 15 hectares o equivalente a 15 campos de futebol continua.

Em 2020, já haviam denuncias da grilagem no local, mas, de lá para cá, pouca coisa foi feita e o Condomínio ilegal cresceu ainda mais.

O condomínio fica às margens da DF-001, no sentido Taguatinga/Brazlândia.

Batizado de JK Ville, está em volta do também irregular Cooperville, em estágio bem mais avançado, com diversas casas em fase final de construção e, algumas, já habitadas. Em 2016, o DF Legal, então Agefis, até fez derrubadas por lá, mas não conteve o avanço.

Atualmente, o novo condomínio segue o mesmo processo. Já contando com ruas alargadas, caixa d’água e até mesmo postes de luz, o JK Ville tem trânsito pesado de caminhões, tratores e contêineres.

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Casas de alto padrão começam a tomar forma no local – Gustavo Alcântara/Especial Metrópoles

Os lotes por lá não saem por menos de R$ 100 mil e são negociados no próprio local. Em buscas na internet, há pedaços de terra vendidos por até R$ 150 mil. Para receber a documentação, é necessário dar um sinal entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.

A reportagem teve acesso a contratos de cessão de posse do terreno. Foram feitas, ao todo, quatro trocas no nome do titular da área, sendo que três delas ocorreram no mesmo dia, sempre com um acréscimo de preço a ser recebido.

No texto ainda é colocado de maneira clara que o cedente não se responsabiliza caso o cessionário “venha a parcelar ou desmembrar o imóvel (…) em desconformidade com a legislação”.

A ideia dos reais responsáveis pela área é justificar o dinheiro que recebem com a venda dos lotes enquanto deixam laranjas como supostos atuais donos do local e autores do parcelamento irregular de terra.

Procurada, a Secretaria DF Legal informou que a edificação estava protegida por liminar e por esse motivo não poderia ser derrubada. A sentença foi proferida nos autos do processo nº 0701832-69.2021.8.07.0018, tendo como objeto o imóvel às margens da BR-001, Km 83, Núcleo Rural Cana do Reino, Fazenda Brejo ou Torto, Chácaras Magna, em Taguatinga/Brazlândia, pelo juiz de direito Carlos Frederico Maroja de Medeiros.

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É Comum ver contêineres no local – Gustavo Alcântara / Especial Metróploes

“Há cerca de três semanas fomos informados, após consulta à Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), que a parte interessada renunciou a ação e o juiz extinguiu o processo. Contudo, o muro e construções erguidas não foram removidos em razão da tutela judicial”, esclareceu o DF Legal, por meio de nota.

O local foi objeto de duas ações de demolição de grande porte, em 2020 e 2021. “Após ciência da queda da liminar, o DF Legal incluirá o local no cronograma de demolições em conjunto com a Secretária de Segurança Pública do DF (SSP-DF) e demais forças de segurança”, acrescentou.

Já a Administração de Vicente Pires não havia respondido aos questionamentos da reportagem até a publicação do texto. O espaço permanece aberto.

Denúncia feita em setembro do ano passado

Logo após as derrubas ocorridas em 2020, orientações que circulam por grupos de moradores do local no WhatsApp. Lideranças mandam a comunidade configurar moradias, pois o poder público “não vai derrubar casas habitadas”, dizem as mensagens.

Em um dos textos, há explicação detalhada dos requisitos que configuram uma casa realmente habitada. Segundo as orientações, o ideal é dar “prioridade para um cômodo” e colocar “o banheiro pra funcionar. Se não tiver cisterna, peça água emprestada para seu vizinho”.

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-Gustavo Alcântara / Especial Metrópoles

A justificativa é simples: o DF Legal não pode derrubar imóveis habitados. Dessa forma, os responsáveis pela orientação afirmam que é melhor garantir apenas uma pequena casa do que perder o investimento já feito na região. “Depois que tiver dentro é outra história, vai aumentando e faz do jeito que sempre sonhou, não corra o risco de tomar tamanho prejuízo”, completa o texto.

Os incentivadores da ocupação irregular ainda afirmam que o chamado “kit invasão” não é mais considerado habitação. “Não adianta mobiliar a casa encima (sic) da hora, se não tiver água, fossa, dejetos na fossa, caixa d’água é considerado ‘kit invasão’”, apontam.

O assentamento 26 de Setembro faz parte da Macrozona Rural de Uso Controlado, na DF-001, entre Vicente Pires e Brazlândia. A União arrendou a área para chacareiros produzirem, mas o parcelamento irregular vem crescendo no local há muitos anos.

Após a denúncia, o DF Legal derrubou um muro com mais de 600 metros de comprimento que delimitava o JK Ville. Na época, a estimativa era que os vendedores dessas terras arrecadassem, aproximadamente, R$ 64 milhões com a comercialização clandestina de 430 lotes.

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Há Diversas Entradas com Portão Automático – Gustavo Alcântara / Especial Metrópoles

Além do muro, foram removidos da área pública postes para a ligação irregular de rede de energia, tubulação de rede de água potável e uma caixa d’água para abastecimento do condomínio.

Materiais e equipamentos de construção, entre eles um trator retroescavadeira, um gerador, cimento, andaimes, ferros e aterramentos diversos foram apreendidos.

Assentamento já tem mais de 20 anos.

Alvo de construções desde 1996, o Assentamento 26 de Setembro cresce ao arrepio da lei e já ultrapassou a marca de 4 mil casas construídas. Estabelecido ilegalmente em um local próximo a Vicente Pires e Taguatinga, o terreno com mais de 1,3 milhão de metros quadrados tem sido alvo de promessas de regularização ao mesmo tempo que sofre com derrubadas.

De acordo com a Associação de Moradores Núcleo e Cidadania do assentamento, cerca de 30 mil pessoas moram no local.

 

Fonte: Metrópoles

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